Livros mostram impactos negativos de reestruturações no Banco do Brasil

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Traumático para milhares de trabalhadores, o plano de reestruturação do Banco do Brasil acabou com a segurança no emprego e transformou a imagem da instituição. O plano foi iniciado no governo Collor e intensificado na era FHC. Agora a direção do BB lança outro plano de reestruturação, mesmo com um governo que se intitula democrático e popular.


Com o objetivo de dissecar o plano de reestruturação, Francisco Alexandre, bancário do BB e atual diretor de Administração da Previ, e Lea Rodrigues, antropóloga e ex-bancária do BB, publicaram livros sobre o assunto.


Lançado em 2002, “Reestruturação e o Fim da Segurança no Emprego do Banco do Brasil”, de Francisco Alexandre, apresenta os impactos do processo de reestruturação ocorrido durante a era FHC. Cita também que quase 43 mil trabalhadores foram excluídos do banco. “Entre janeiro de 1995 e o final de 1996 houve o que pode ser considerada uma epidemia de suicídios no BB: 20 em menos de dois anos. Houve também no período aumento de doenças e desagregação familiar”, diz o livro.


Em seu livro “Metáforas do Brasil – Demissões Voluntárias, Crise e Rupturas no Banco do Brasil”, lançado em 2004, Lea Rodrigues faz uma análise da reestruturação e a relaciona com as transformações ocorridas no país nos anos 90. “O plano de reestruturação do BB acabou alterando a missão do banco. De uma instituição que tinha como metas a concretização de objetivos sociais e a promoção do desenvolvimento nacional, passou a atuar nos moldes de uma organização privada, voltada apenas para o lucro”, destaca a autora.