Lucro de R$ 4 bi contradiz corte de pessoal

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Para melhorar o índice de eficiência operacional, a diretoria do Banco do Brasil aprovou uma medida equivocada e autoritária, que mandou cortar cargos e despesas administrativas da DG. Além de ser uma medida politicamente injustificável no momento em que o BB bate o seu recorde histórico de lucratividade, o corte de despesas com pessoal é também um equívoco do ponto de vista financeiro e de gestão de pessoas.

Pelos cálculos do Sindicato, caso a diretoria mantenha a decisão, serão cortados entre 600 e 800 cargos, além das 1.000 vagas que já foram congeladas. O Sindicato entende que o banco deveria estimular o funcionalismo através do desafio de aumento de receitas e não assediá-lo a pedir aposentadoria ou até mesmo demissão. O BB não pode se igualar ao mercado, pois é um banco público e possui responsabilidades que os bancos privados não cumprem.

No BB é possível identificar uma relação positiva entre o crescimento da eficiência operacional e o aperfeiçoamento da política de gestão de pessoas. Entre 1996 e 1999, o banco apresentou desempenho insatisfatório em relação a esse indicador, quando para cada R$ 100,00 de receitas, as despesas somavam R$ 219,20. A partir de 2005, para cada R$ 100,00 de receita gerada, o banco comprometeu R$ 73,50 com despesas, dando um salto de eficiência. Além disso, o BB mostra-se também incoerente ao apresentar um Plano de Cargos e Salários (PCS) ainda não negociado com o movimento sindical.

Com esse corte, sem critérios, o banco rasga seu próprio conceito de RSA: “Ter a ética como compromisso e o respeito como atitude nas relações com os funcionários”.

A Comissão de Empresa dos Funcionários do BB esteve reunida com a direção do banco no último dia 4/4, mas até o fechamento desta edição, não obtivemos o resultado da reunião.