Luta contra o neoliberalismo marcou o ano de 1997

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Janeiro de 1997 foi marcado pela proposta de emenda constitucional que previa a reeleição do poder Executivo, indicada por FHC. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) organizou um plebiscito informal num ato em Fortaleza, onde 92% dos votantes rejeitaram a emenda, por considerá-la inconstitucional.

A política neoliberal de FHC foi responsável pelo fechamento de agências de bancos públicos e demissão de funcionários. A diretoria do BEC, por exemplo, anunciou que demitiria 400 funcionários, ficando, assim, com apenas 1100. Em contrapartida, o SEEB/CE montou uma sede itinerante, que ficava diariamente no BEC dos Peixinhos ou no Centro Administrativo da Água Fria.

Nacionalmente, o Banco do Brasil demitiu 538 funcionários em abril. O SEEB/CE organizou uma greve na sede do Cesec Fortaleza para denunciar as 128 demissões no BB. Em julho, a chapa única “Chapa do Sindicato – É Hora de Virar a Mesa” foi eleita para a gestão de 97/2000 com 93% dos votos apurados. A chapa foi composta pelo mesmo grupo que já geria o Sindicato, o que demonstra a aceitação do grupo perante sua base.

A luta contra a política de FHC foi o foco da Campanha Salarial de 97, diferentemente da de anos anteriores, que se centravam na questão do reajuste salarial. Além de reivindicar reajuste salarial de 25%, a luta se estendeu às demissões arbitrárias e injustificadas, à redução dos níveis de remunerações e à prevenção e tratamento de doenças resultantes de más condições do trabalho bancário.

Apesar da alta lucratividade dos bancos, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) negou o reajuste pretendido pelos bancários e, em contrapartida, ofereceu apenas 5%. Quanto à Participação nos Lucros (PL), os banqueiros concederam 80% do salário mais R$ 300,00. A Executiva dos bancários avaliou a proposta como sendo um avanço às anteriores, apesar de muito abaixo do reajuste pretendido.