Marcha abre o Fórum Social Mundial que reuniu organizações dos cinco continentes

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Uma multidão com sua riqueza de cores, raças e religiões tomou as ruas do centro de Túnis, capital da Tunísia, na marcha que abriu oficialmente o Fórum Social Mundial (FSM). Com entusiasmo, determinação e ousadia, num canto coletivo, os manifestantes empunharam as suas bandeiras, faixas e cartazes contra o imperialismo, a globalização e a especulação financeira, afirmando que jamais aceitarão calados serem saqueados por capitalistas gananciosos enquanto o povo padece de fome, desemprego e proteção social. Todos juntos exigindo um mundo livre de preconceito, discriminação, opressão e injustiças sociais, onde reine a solidariedade e a paz.


“Com o colorido das bandeiras de organizações dos cinco continentes, a Marcha caracterizou as diversas lutas do planeta que nos unem pelo princípio central do Fórum de que ‘um outro mundo é possível’. Destaque para a demonstração e o vigor na expressão e nos gritos do povo tunisiano. A Tunísia depois do Fórum não pode ser a mesma. Tem que ser um outro País, muito melhor para o seu povo”, afirmou Rosane Bertotti, secretária nacional de Comunicação da CUT.


Acompanhada sob olhares atentos e esperançosos de uma população que até pouco tempo lhe via negado o livre direito de se expressar, a marcha teve como ponto de partida a praça 14 de Janeiro, que leva este nome pois expressa a data em que o ex-presidente tirano Ben Ali saiu do País para refugiar-se na Arábia Saudita após a revolução desencadeada pelo povo. Mas na Tunísia a transição democrática ainda caminha. A população enfrenta hoje um processo de dificuldade econômica. A crise financeira nos países centrais do capitalismo tem reflexo direto no País, paraíso turístico europeu à beira Mar do Mediterrâneo. A taxa de desemprego, por exemplo, está nos 17%. Entre os jovens, passa de 30%.


“Pensar num mundo socialista é lutar pelos direitos de toda à população, construindo uma sociedade sem preconceito e discriminação. E ver a Marcha do Fórum Social Mundial com uma presença massiva de jovens e mulheres é algo bastante representativo”, destacou Rosana Sousa, diretora executiva da CUT. O exemplo da Tunísia expressa bem o fato de que o aprofundamento da crise exige uma ação mais enérgica e efetiva dos movimentos sociais, sindicais e sociedade civil.


Assim como nas outras edições, o FSM teve em sua programação uma série de atividades propostas por entidades da sociedade civil e movimentos sociais de todas as regiões do mundo e seu encerramento aconteceu no último domingo, dia 30/3, com uma marcha de apoio ao povo palestino.