Marcos Saraiva encabeça chapa Bancários em Ação

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Marcos Saraiva é empregado da Caixa Econômica Federal há 23 anos. Exerce a Presidência do Sindicato atualmente completando a gestão iniciada com Vaumik Ribeiro. Foi presidente da Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal (APCEF), onde continua na diretoria e também é diretor da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae). Amante do futebol, ele procurará congregar todos os bancários em uma grande torcida: a que luta por mais direitos e dignidade para os trabalhadores. Nesta entrevista ele fala sobre desafios sindicais novos e antigos e mostra disposição para o jogo, digo, para as lutas sindicais.

TB – Qual o balanço que o senhor faz da gestão que se encerra?
Marcos Saraiva
– Mais do que nós dirigentes sindicais, os bancários cearenses, ao conformarem uma chapa única cutista para a próxima gestão deste sindicato, expressaram e expressam de uma forma clara um sinal positivo em relação ao caminho trilhado pela entidade nos últimos anos. Esta aprovação se dá com base em fatos concretos, em fatos relevantes. Destacaríamos: a resistência ao governo de FHC como um todo (época de perseguições, apadrinhamento, demissões e grandes desmandos nos bancos públicos), a luta contra a privatização do BEC (ininterrupta por mais de dez anos), as ações mais especificamente sindicais como as tradicionais campanhas salariais, atividades de formação, ações na área de saúde e esportiva. Enfim, é importante ressaltar o novo ambiente criado com o Governo Lula: de negociação e respeito, com muitos limites a serem vencidos…

TB – Que limites?
Marcos Saraiva
– Advogamos com contundência a necessidade de maiores avanços. Evidentemente a preliminar é rechaçar o retrocesso evidenciado com o anúncio da candidatura de Alckmin. Os avanços precisam agora acontecer em maior dimensão. Fazemos uma leitura clara da opção do Governo Lula por uma política de amparo aos mais pobres, aos mais necessitados – com a qual concordamos e apoiamos. E até mesmo entendemos a construção de uma política econômica de transição que agora precisa ser concluída. A classe média ainda está sufocada. É preciso continuar a geração de empregos e promover a desconcentração da renda. Concluir a passagem da economia do rentismo para a economia da produção. Continuar a baixar a taxa de juros. É preciso mais ousadia na política econômica para que se consiga pagar a imensa dívida social acumulada e que não foi gerada pelo Governo Lula. É preciso destacar que a construção e implementação de uma política econômica mais ousada está diretamente relacionada a uma nova correlação de forças políticas fruto do processo eleitoral que se avizinha. Neste sentido o movimento sindical cutista deverá apoiar decisivamente o bloco de forças políticas a sustentar um novo mandato do Presidente Lula. Estamos conscientes de que somos parte da engenharia política capaz de impedir o retrocesso e acelerar os avanços sociais.

TB – Além desta intervenção política, quais as prioridades especificamente sindicais para a próxima gestão?
Marcos Saraiva – Destacaríamos alguns pontos, entendendo que há um conjunto de novos e velhos desafios que enfrentaremos a curto, médio e longo prazo. O contexto político internacional, especialmente o latino-americano, favorece o avanço da luta dos trabalhadores que precisa recuperar espaço e poder. Assim, deveremos desencadear ações que politizem as categorias. É o que chamamos de politização sem partidarização. O movimento sindical é frente política sem distinção partidária, mas tem lado político-ideológico que não pode ser escamoteado, daí a “politização sem partidarização”. Decorre daí a necessidade uma intensa e demorada política de formação, com cursos, seminários, debates e ações afins. Desta linha também surge a necessidade de melhorar a relação sindicato e sociedade como um todo. O sindicato que ficar com uma ação intramuros está fadado ao fracasso. Não sobreviverá o sindicato que ficar limitado a ações corporativas, por mais legítimas que sejam. Assim, consideramos – por exemplo – que a extensão do Código de Defesa do Consumidor aplicado aos bancos é uma conquista a ser implementada que permite um diálogo nosso com os cidadãos usuários do sistema financeiro; a problemática da violência está na ordem do dia para a sociedade e não só para os bancários.

TB – Uma mensagem.
Marcos Saraiva – Queremos ressaltar que a trajetória percorrida pelo Sindicato dos Bancários nos últimos vintes anos (antes mesmo, o destaque aqui é porque apenas vivenciamos mais diretamente estas duas últimas décadas) nos enche de orgulho. Temos a humildade de reconhecer que nosso trabalho precisa melhorar em muitas áreas. Temos de igual modo a convicção de nosso esforço e nossa luta que é reconhecido pelos bancários e pela sociedade, em geral. Nosso desafio, portanto, é continuar trabalhando diuturna-mente e aperfeiçoando nosso trabalho. Conclamamos os bancários cearenses a não deixarem de votar na chapa 1 “Bancários em Ação”, nos dias 3, 4 e 5 de julho. O gesto do voto expressará um incentivo grande aos dirigentes do Sindicato dos Bancários em nome dos quais antecipadamente agradeço. E nós – como vocês todos – esperamos estar proximamente num ambiente que combine a alegria que emana do futebol com a esperança de conquistas pela desenvoltura de nossas ações sindicais – dos dirigentes e da base.