Menos juros, mais desenvolvimento

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A Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) e a CUT, lançaram a campanha “Menos Juros, Mais Desenvolvimento”, em julho, em Brasília. A atual re-escalada de aumento dos juros iniciada agora em abril pelo Copom, segundo análise consensual que vai dos “mercadistas” ao Dieese, deve empurrar a taxa Selic para mais de 14% no final do ano – disparada, a mais alta taxa de juros do planeta.


A conseqüência imediata disso é que “já se projeta uma desaceleração do PIB para 2009, talvez em torno dos 4%”, segundo estudo produzido pelo GT Conjuntura do Dieese.


Além de estancar o crescimento, reduzir a geração de empregos e ameaçar os salários dos trabalhadores, a política de juros altos do BC acelera o movimento concentrador de renda. Somente no primeiro quadrimestre deste ano, com a taxa Selic menor do que a projetada para o futuro, o país já desviou do Tesouro R$ 44,4 bilhões para pagar juros e encargos da dívida pública, quantidade de recursos superior aos R$ 40 bilhões de investimentos previstos no Orçamento de 2008. O Banco Central justifica a nova escalada de juros brandindo o fantasma da inflação.


Para o Dieese, diminuiu o descompasso entre a demanda interna e a capacidade produtiva da indústria, que cresceu 7,3% no primeiro trimestre do ano, acima da expansão de 6,6% do consumo das famílias.


A alta dos preços não foi generalizada, concentrando-se em apenas seis itens básicos da alimentação: arroz, feijão, carne, óleo, derivados de trigo e leite”, acrescenta o estudo, que atribui essa elevação de preços a problemas climáticos, recomposição de margens, preços internacionais e aspectos relacionados com as importações e exportações.


É praticamente consenso entre os economistas que não rezam pela cartilha neoliberal que há caminhos fora dos juros, com menos efeitos colaterais, para enfrentar esse período de desajuste. O próprio Banco Central, em sua publicação quinzenal “Focus-Relatório de Mercado”, aponta uma inflação de 5,8% para este ano e de 4,6% para 2009 – portanto, dentro da meta fixada pelo governo federal.


Economistas insuspeitos de esquerdismo, como o ex-ministro e ex-deputado Delfim Neto, já demonstraram que as premissas do BC não são amparadas na ciência econômica, mas na crença ideológica dos adoradores do mercado.


Por isso, a campanha desencadeada pela CMS e pela CUT é um alerta urgente e necessário, que precisa se irradiar a toda a sociedade brasileira, antes que essa política irracional do BC comprometa o ciclo de crescimento econômico iniciado pelo país em 2004, depois de quase um quarto de século de estagnação. Crescimento que, além de robusta geração de emprego, pela primeira vez na nossa história vem acompanhado de distribuição de renda, ainda que não no ritmo desejável.


Mais do que nunca, o Brasil precisa de um Banco Central independente do sistema financeiro e mais dependente das políticas públicas que gerem mais emprego e renda para os trabalhadores.

(Editorial publicado pela Contraf-CUT)