Mercado financeiro está fazendo terrorismo com relação à inflação

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O coordenador do grupo de análises e previsões do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Roberto Messenberg, afirmou que o mercado financeiro está fazendo terrorismo com a possibilidade de estouro da inflação. Segundo ele, não há chances de hiperinflação no Brasil e a estratégia alarmista é movida pelo temor em relação à nova agenda socioeconômica do governo Dilma Rousseff.


“Não há, nos fundamentos da nossa economia, possibilidade de que a inflação saia de controle”, diz. “Esta é uma estratégia terrorista das instituições financeiras para sabotar as mudanças da agenda econômica do Brasil, que caminha na direção contrária de seus interesses”, afirmou em coletiva, no Rio de Janeiro.


O economista diz que não se deve confundir elevação do nível de preço com inflação. Para ele, está havendo uma mudança de preço relativa no Brasil, sem aumentos generalizados.


Messenberg afirma que há um efeito transitório da inflação causada pela valorização do real sobre o dólar e pela relação entre a inflação em moeda nacional e em moeda estrangeira. Segundo ele, há uma contaminação da inflação em moeda estrangeira sobre a moeda nacional. O economista afirma não haver chances de hiperinflação num cenário de apreciação do real. “Vamos ter que conviver alguns meses com uma taxa de inflação mais salgada”, diz. “Não vejo desarranjo da política econômica, ou improvisos. Estamos muito bem”.


Segundo ele, nunca houve uma política monetária tão boa para o Brasil e prova disso são os recentes relatórios do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da agência de classificação de risco Fitch, com avaliações positivas sobre o País.

INFLAÇÃO – Vinculado à Presidência da República, o Ipea aponta sinais de que a inflação sofre pressão do consumo aquecido em especial quando analisada a evolução dos preços dos serviços, com alta de 8,5% em 12 meses.


Observa ainda que eles refletem “o aumento real da renda”, segundo sua “Carta de Conjuntura” divulgada dia 13/4. Para o Ipea, a inflação vai superar o teto da meta do governo (6,5%) nos próximos meses, mas tende a ceder ao final do ano. Ainda assim, ficará acima de 4,5%, centro da meta. O instituto prevê alta de 5% a 6% para os preços.


O estudo diz que a necessidade de aperto monetário (alta de juros e medidas para conter o crédito) vai se traduzir num crescimento “mais moderado” em neste ano, de 4% a 5%.