MESMO COM QUEDA, LUCRO DOS TRÊS MAIORES BANCOS PRIVADOS CHEGA A R$ 11,5 BI NO TRIMESTRE

75


O Dieese realizou levantamento que aponta que os três maiores bancos privados do país (Itaú, Bradesco e Santander) lucraram R$ 11,5 bilhões no 1º trimestre de 2020. Isso porque houve queda do lucro de 30,6%, na comparação com os três primeiros meses do ano passado.


“A maior baixa no resultado foi do banco Itaú (-43,3% em doze meses). Mas, mesmo assim foi o que mais lucrou (R$ 3,9 bilhões). No Bradesco, a redução foi de 39,8% no período, e o banco lucrou R$ 3,75 bilhões. Dos, três, o único que não apresentou queda do lucro foi o Santander, que teve crescimento do lucro de 10,6%, ultrapassando o Bradesco e encostando no Itaú, com R$ 3,85 bilhões”, disse a economista Vivian Machado, da subseção do Dieese na Contraf-CUT.


Juntas estas três instituições possuem ativos de R$ 4,4 trilhões, com alta média de 17,2% em relação a março de 2019. Grande parte desse crescimento se deve às carteiras de crédito, que somam R$ 1,9 trilhão, com alta de 18,4% no período.


TARIFAS E SERVIÇOS X EMPREGO – Os bancos seguem ganhando com a prestação de serviços e a cobrança de tarifas. Nestes três meses de 2020 estes bancos arrecadaram R$ 21,5 bilhões nesse item. Com essa receita secundária, eles pagam com folga todas as despesas que têm com seus funcionários, incluindo nessa conta a PLR. A cobertura das despesas de pessoal por essa receita secundária dos bancos variou entre 133,4%, no Bradesco; 179%, no Itaú Unibanco e 190,5%, no Santander, ou seja, cobrindo quase duas folhas de pagamento.


Com relação ao emprego, os três bancos juntos fecharam 7.059 postos de trabalho, em doze meses. Foram 4.097 postos fechados no Itaú em doze meses, parte disso em função do PDV implementado pelo banco no segundo trimestre de 2019, que contou com 3,5 mil adesões. No Santander, foram fechados 1.040 postos de trabalho no período, enquanto no Bradesco, o saldo foi negativo, em 1.922 postos.


FECHAMENTO DE AGÊNCIAS – Quanto à rede de atendimento, o Santander fechou 27 agências em doze meses. No Itaú, foram fechadas 371 agências físicas no mesmo período e aberta apenas uma agência digital, as quais já somam 196 unidades. O Bradesco, por sua vez, fechou 194 unidades, em um ano. Os três juntos fecharam 592 agências no país e a perspectiva diante da situação atual é que muitas não reabram quando as atividades forem restabelecidas após a pandemia.