Mesmo lucrando R$ 4,1 bi, Bradesco chora queda no lucro e continua demitindo

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No 1º trimestre de 2016, o Bradesco obteve lucro líquido contábil de R$ 4,121 bilhões, o que representou uma queda de 2,9% em doze meses e 5,3% no trimestre. De acordo com análise feita pela subseção do Dieese, na Contraf-CUT, o lucro líquido ajustado de R$ 4,113 bilhões, teve queda de 3,8% em relação ao mesmo período de 2015. O retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio Anualizado (ROE) ficou em 17,5%, com redução de 3,1 p.p., em relação a março de 2015.


Contribuíram para esse resultado a receita com seguros e capitalização, que cresceu mais de 139% em doze meses e a reversão de despesas com empréstimos e repasses, que resultou na diminuição do total de despesas de intermediação em 13,0%, em função da valorização do real frente ao dólar neste início de ano. As despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD) também subiram significativamente (53,6%), totalizando R$ 5,9 bilhões, impactando negativamente o lucro do banco.


Em contrapartida, a holding encerrou março de 2016 com 91.395 empregados, com redução de 3.581 postos de trabalho em relação a março de 2015. Foram fechadas 152 agências no período. “Mesmo com queda, muito ajudada por esse aumento absurdo nas PDDs, o Bradesco ainda lucrou R$ 4,1bi, o que não justifica esse corte de empregos e muito menos, o fechamento de agências”, avalia o diretor do Sindicato dos Bancários, Gabriel Motta.


A receita com prestação de serviços e a renda das tarifas bancárias cresceram 9,6% no período, totalizando R$ 4,9 bilhões. As despesas de pessoal, considerando a PLR, subiram 8,7%, atingindo R$ 3,6 bilhões. Assim, em 2015, a cobertura dessas despesas pelas receitas secundárias do banco foi de 137%.