Metas abusivas são o calvário do funcionalismo

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A transformação das agências bancárias em verdadeiros balcões de vendas tem reduzido significativamente o número de funcionários e cada vez mais aumentando as metas, na grande maioria abusivas. O novo “conceito” de agência tem sido projetado, como afirmam os próprios executivos dos bancos, como “vitrines de produtos financeiros”, e o bancário como “promotor de vendas”. Com este novo modelo, os funcionários são forçados a cumprir metas inalcançáveis, o que tem ocasionado problemas de saúde, como LER/Dort e sofrimento mental, além de sucessivos casos de assédio moral.


No caso do Itaú, as metas abusivas estão deixando os funcionários indignados. Tais metas são um verdadeiro tormento na rotina de bancários que sofrem para conseguir “sobreviver” no emprego. Além de exigir números inatingíveis, o Itaú demonstra incoerência e extremo desrespeito aos seus funcionários com constantes mudanças nas metas que impedem que estas sejam atingidas, gerando assim, mais penalização do que reconhecimento aos empregados.


“O Itaú não disponibiliza as informações do programa AGIR atualizadas e o bancário acaba ficando receoso com relação aos seus números e, literalmente, se mata de tanto trabalhar em busca de alcançar o inalcançável. Por isso, a rotina dos trabalhadores está sendo cada vez mais prejudicada”, aponta o diretor do Sindicato e representante do Nordeste na COE Itaú, Ribamar Pacheco.


Tudo isso, sem mencionar o comportamento de alguns gestores que ameaçam de demissão os bancários que não atingirem as metas, além de se utilizarem da opressão e do medo, o que caracteriza prática de assédio moral. Os trabalhadores, com razão, ficam indignados, desmotivados e sentem-se diminuídos com tão numerosas ameaças, ofensas, coações e humilhações.


Saúde do bancário – O combate ao assédio moral e o fim das metas abusivas têm sido as principais bandeiras relacionadas ao tema de saúde do trabalhador nas campanhas nacionais dos bancários nos últimos anos. Na prática, a forma como a política de metas é organizada coloca o trabalhador em xeque. Aquele que não consegue alcançar as metas impostas pelos bancos dificilmente conseguirá permanecer no emprego por muito tempo.


Segundo as estatísticas da Previdência Social, a categoria bancária lidera o ranking das doenças de origem musculoesqueléticas (LER/Dort) desde o reconhecimento da “tenossinovite do digitador” e outras lesões por esforços repetitivos como doença do trabalho, por intermédio da Portaria do Ministério da Previdência e Assistência Social nº 4.062, de 6 de agosto de 1987. Os bancários também estão entre os trabalhadores que mais são acometidos com as doenças relacionadas ao sofrimento mental.


“O que percebemos, no cotidiano do trabalho bancário, são práticas de assédio moral, associadas às cobranças de metas, que levam o trabalhador ao adoecimento e afastamento”, denuncia Ribamar Pacheco.


O assédio moral nos bancos é um sério sinal de degradação das condições de trabalho, bem como do próprio ambiente de trabalho. É um sinal de alerta que, além de detectar problemas entre uma vítima e um agressor, remete a atenção para a organização do trabalho, para o modo de execução das tarefas diárias e como essa organização define as relações entre as pessoas.


“A estratégia dos bancos é sempre a de individualizar todo o processo de trabalho que envolve as metas. Impostas de maneira abusiva, de cima para baixo, elas devem ser alcançadas a qualquer custo e isso tem causado doenças, afastamento e precarização das condições de trabalho. A Comissão de Empresa do Itaú luta de forma incessante para mudar esta realidade”
Ribamar Pacheco, diretor do Sindicato dos Bancários e representante do Nordeste na COE Itaú