Ministra quer ouvir Contraf-CUT e Febraban sobre desigualdade nos bancos

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A ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Helena de Bairros, se comprometeu em chamar uma reunião entre a Contraf-CUT e Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para tratar da falta de efetividade do protocolo de intenções que prevê cooperação mútua para ampliar a inserção da população negra no sistema financeiro.  O compromisso foi assumido durante audiência com a Contraf-CUT, assessorada pela Comissão de Gênero, Raça e Orientação Sexual (CGROS), ocorrida em Brasília.


Na avaliação do movimento sindical, não houve avanços, mas recuos em relação aos objetivos do documento assinado entre a Febraban e a Seppir, em julho de 2010. O que mais chamou a atenção foram as demissões de negros, na sua maioria mulheres, nos bancos privados. Dados apresentados pela Contraf-CUT à ministra apontam que, além de não haver mais contratações, registrou-se aumento das demissões de negros nessas instituições nos últimos dois anos, principalmente no Itaú.


O próprio relatório de sustentabilidade do Itaú revela que houve aumento de 14% no número de desligamentos de mulheres negras no banco em 2011 em comparação com o ano anterior. Além disso, segundo o Mapa da Diversidade, feito pela Febraban e divulgado em 2009, os negros e pardos constituíam 19% da mão-de-obra bancária, ao passo que hoje esse índice está em 18%.


“Os dados desmascaram mais um truque dos banqueiros, que se utilizam do Relatório Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Emprego, que engloba o sistema financeiro como um todo, para dizer que está havendo sim contratações de negros. Só que, como nos bancos públicos as admissões se dão via concurso, a realidade acaba não aparecendo”, afirmou Andrea Vasconcelos, secretária de Políticas Sociais da Contraf-CUT.


Limpeza étnica e invisibilidade visível – Diante dos números, a Contraf-CUT classificou de limpeza étnica a política dos bancos privados de demitir preferencialmente negros (e mulheres negras) e lançou um desafio à ministra. Que ela, acompanhada de dirigentes sindicais, percorra agências de bancos privadas na região do centro de Brasília, e mesmo na Esplanada dos Ministérios, para comprovar que não há negros trabalhando nos bancos e, quando há, eles são minoria absoluta.