Mobilização é intensificada de 2003 a 2006

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A Campanha Salarial 2003 foi iniciada em agosto. Os bancários reivindicavam, entre outras questões, reajuste salarial de 21,58% e piso de R$ 1.421,62. Esse foi o primeiro ano de campanha salarial unificada. Bancos públicos e privados passaram a negociar com a mesma entidade (Fenaban), sem deixar de lado as negociações específicas. Em uma das negociçãoes, a Fenaban ofereceu 9% de reajuste, valor recusado pelos bancários, porque a proposta da Fenaban representava metade da inflação do período. Sem avanços nas negociações entre funcionários e bancos públicos, os bancários do Banco do Brasil, da Caixa e do BNB entraram em greve. Após muitas manifestações, os bancários resolveram aceitar a proposta da Fenaban, de 12,6%, mas o BNB fechou acordo com valor menor de reajuste (apenas 7%).

O ano de 2004 foi marcado pela maior greve bancária em 15 anos. A Campanha Salarial desse ano superou os marcos de reajuste dos salários e se tornou um momento de unificação da categoria. A greve da categoria durou 28 dias. A decisão pela unificação da campanha teve como objetivo firmar um acordo que valesse para os setores público e privado. Logo na primeira negociação, os banqueiros alegaram dificuldade em conceder aumento real. Nas rodadas que se sucederam até o final de agosto, a última evolução do índice foi de 6% para 8,5%. Em outubro, 198 agências dos bancos públicos estavam paradas.

“Banqueiro não é flor que se cheire” foi o tema da campanha salarial de 2005, uma referência a setembro, mês de primavera. Mas, como nem tudo são flores, a campanha desse ano foi marcada por forte resistência dos banqueiros e truculência policial. As manifestações à frente dos bancos Bradesco, Itaú e Real foram recebidas com violência, numa tentativa de impedir o direito de greve dos trabalhadores. Um diretor do Sindicato foi agredido pela polícia militar à frente de uma agência. A greve de 2005 durou seis dias e garantiu um reajuste salarial de 6%.

Uma forte mobilização nacional da categoria bancária conseguiu avanços trabalhistas importantes em 2006. No Ceará, uma greve de seis dias mobilizou funcionários dos setores público e privado (mesmo com interditos proibitórios) e conseguiu um aumento real dos salários e outras reivindicações dos bancários. O reajuste do ano foi de 3,5% nos salários e em todas as verbas de natureza salarial. Em relação à Participação dos Lucros e Resultados (PLR), os bancários conquistaram o direito de receber a regra básica que consiste em 80% do salário, já reajustado, mais R$ 828 na parte fixa.