Mobilização marcou a luta dos bancários por conquistas

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A mobilização em torno das reivindicações começou já em maio deste ano com a definição do calendário da Campanha Nacional da categoria. Em junho, foram definidas as prioridades dos bancários nos Encontros Estaduais e Regionais que foram levadas VII Conferência Nacional do Ramo Financeiro, ocasião em que foi aprovada a minuta mínima de reivindicação, que posteriormente foi referendada em assembléias por todo o País. Paralelamente, outros encontros discutiam questões da saúde, da juventude, da mulher, afora os eventos específicos da Caixa Econômica, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco do Estado do Ceará e Privados.

Desde 11/8, quando a minuta foi entregue à Fenaban, sindicalistas trabalham para a mobilizar a base e construir uma campanha com toda a categoria, numa tentativa de realizá-la dentro dos limites da negociação e do diálogo. Foram realizadas manifestações nas unidades bancárias, reuniões nas agências debatendo os rumos das ações, além de encontros e assembléias, vários informativos, entre outros.

Apesar de todo esse trabalho empreendido pelas entidades, os banqueiros apostaram na desmobilização dos bancários, protelando as negociações e ignorando questões como saúde, emprego, condições e trabalho e isenção de tarifas. Isso sem falar na tentativa de retirar alguns itens já garantidos. A primeira proposta foi de reajustar os salários e as verbas salariais em 4%, uma PLR nos moldes do ano passado, ou seja, continuaria de 80% do salário mais R$ 733 fixos e pagar um abono de R$ 1.000.

A categoria não se intimidou e intensificou a organização dos bancários. Primeiro uma greve de advertência, depois paralisação por tempo indeterminado. Os banqueiros tentaram resistir, utilizando manobras judiciais como interditos proibitórios para tentar macular o direito de greve. Com a firmeza dos trabalhadores, a situação começou a mudar e os banqueiros tiveram que ceder.

Em 17 de outubro foi assinada a Convenção Coletiva Nacional de Trabalho 2005/2006, depois de uma greve que durou seis dias em todo o País. Ela acordava um índice de 6%, que representou ganho real de 1,05%, se comparado aos 4,89% acumulados do ICV do Dieese ou de 0,94%, se considerarmos os 5,01% do INPC do IBGE. A proposta contou, ainda, com um avanço de 70% no abono (de R$ 1 mil para R$ 1.700). Destaque para as negociações específicas dos bancos públicos. Enquanto que no BB, se conseguiu um modelo de PLR melhorada, na Caixa, os empregados garantiram um delta de promoção que variou até 1,8% de reajuste a mais do que os 6% da Fenaban.

Outra grande conquista dos bancários foi o reconhecimento, por parte dos banqueiros e governo, da convenção coletiva de trabalho, unificando todos os bancários públicos e privados numa só negociação como também a continuidade da campanha através das negociações específicas.

A participação da categoria e a estratégia utilizada pelo Comando Nacional foram fundamentais para os avanços. É um trabalho de mobilização e unificação da categoria que tem demonstrado o amadurecimento dos bancários. As conquistas são adquiridas aos poucos. Os frutos que colhemos ainda não são suficientes, mas continuaremos lutando na certeza de que outras primaveras virão.