Movimentos populares reúnem mais de 200 mil manifestantes no “Ocupa Brasília”

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O movimento “Ocupa Brasília”, promovido por dezenas de segmentos populares no dia 24/5, foi o maior ato de oposição ao governo golpista de Michel Temer (PMDB) já realizado na capital federal. Para as entidades organizadoras, a adesão ao protesto, que reuniu cerca de 200 mil pessoas, demonstra o crescimento da ideia de deposição do governo golpista e do desejo popular de realização de eleições diretas para presidente.


“Estamos num momento muito melhor do que estávamos há um mês, quando o governo dava como certa a aprovação das reformas. Hoje o movimento organizado consegue resistir e temos a verdadeira possibilidade de impedir as reformas, até porque mais de 90% do povo é contra”, avaliou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, após a finalização do protesto.


O movimento contou com a participação de caravanas de diversas regiões do país, contabilizando uma média de mil ônibus.


Repressão – O ponto de ebulição do “Ocupa Brasília” se deu com a ação repressora das forças policiais, que dispararam diversas bombas e balas de borracha para tentar dispersar os manifestantes e sufocar o protesto. Como desdobramento do conflito, o governo anunciou, durante a tarde, a convocação de tropas da Força Nacional para o patrulhamento da Esplanada dos Ministérios e do Palácio do Planalto, de forma a impedir a aproximação de manifestantes. A medida provocou uma onda de protestos tanto por parte de parlamentes da oposição quanto de segmentos populares.


Segundo Vagner Freitas, o Ocupa Brasília não encerra o calendário de lutas populares. “O povo vai continuar mobilizado. Ainda tem mais atos pela frente e a possibilidade de uma greve geral pra derrubar de vez esse governo, conseguir as eleições diretas e não permitir que eles retirem nossos direitos”, afirmou o dirigente. De acordo com ele, as centrais sindicais devem se reunir em breve para debater a proposta de uma nova greve.


Na quinta, 25, o presidente golpista revogou o decreto, que deveria ficar em vigor até 31/5.