Mudanças na diretoria geram preocupação quanto ao futuro da Caixa

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A Fenae publicou editorial manifestando sua preocupação com as mudanças ocorridas na direção da Caixa. Com o título “Preocupação com o futuro da Caixa”, o texto avalia a recente história da instituição e mostra “decepção e frustração” pelo preterimento de funcionários de carreira na escolha dos vice-presidentes em favor de políticos da base aliada do governo.


A entidade lembra que, nos últimos quatro anos, a Caixa “procurou resgatar seu papel social, firmando-se como principal instrumento de política pública do governo federal”, lembrando ações como ampliação do acesso à conta bancária e ao crédito, a administração do Bolsa Família, os recordes no financiamento de habitação e a expansão do crédito, entre outras ações. “Tudo isso”, segue o texto, “foi conseguido graças ao profissionalismo, dedicação e sacrifício de milhares de empregados, que souberam dar resposta aos desafios, apesar das precárias condições de trabalho e da crônica falta de empregados”.


A entidade compreende que, com a reeleição do governo e a nova composição política na sua base de sustentação, é natural a mudança na composição das direções das empresas públicas. Mas lamenta que, apesar do bom desempenho, das onze vice-presidências do banco, apenas duas serão ocupadas por empregados de carreira, “num claro desprestígio do quadro funcional e questionável preocupação com o futuro da organização”.


Plínio Pavão, secretário de Saúde e coordenador da Comissão de Empresa da Caixa da Contraf-CUT, faz coro às preocupações da Fenae. “A necessidade de se contemplar os segmentos que apóiam o governo não justifica a desprofissionalização das áreas da empresa”, avalia. “A Caixa não pode abandonar sua vocação de financiadora do desenvolvimento social em nome de outros interesses”, sustenta Plínio.