Mulheres no comércio trabalham mais

24

Com base nas pesquisas de Emprego e Desemprego (PEDs) de 2009, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconomicos (Dieese) traçou o perfil da mulher trabalhadora no setor do comércio do Brasil. Na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), a mulher se insere mais como jovem, faixa etária de 16 a 24 anos, e solteira. No País, as regiões de Recife e Fortaleza têm as piores jornadas de trabalho – 47 horas – e salários. Nesse último caso, a RMF fica com a segunda pior remuneração – R$ 654,00.

MULHER COMERCIÁRIA – Trabalho e Família é o tema da edição nº 5 do Boletim Trabalho no Comércio, divulgado em Fortaleza pelo Dieese e Sindicato dos Empregados no Comércio de Fortaleza. A publicação destaca que o setor comércio emprega quase 20%, mais especificamente 19,7%, do total de 45,70% mulheres ocupadas na RMF. Essa é a segunda maior taxa do País. A primeira é Recife com 19,8%.


Entre as ocupadas no comércio, segundo a pesquisa, cerca de 60% das mulheres eram assalariadas. Essa forma de inserção registra menor proporção na RMF (41,4) e maior na região de Belo Horizonte. Esta região também é a única onde a mulher comerciária trabalha apenas a jornada legal de 44 horas semanais.

ASSALARIADA – O coordenador da PED pelo Dieese no Ceará, Ediran Teixeira, destaca a dificuldade da mulher se inserir como assalariada. Ele explica que o empregador do comércio considera que a mulher assalariada tem um custo maior porque engravida. Na relação familiar são filhas, ou seja, ainda moram com os pais. O técnico observa que apesar da expressiva presença da mulher no mercado de trabalho, também no comércio elas trabalham mais e ganham menos. Mesmo ocupando funções semelhantes.

DUPLA JORNADA FEMININA – A carga horária de três horas a mais do que prevê a Legislação tem o agravante da dupla jornada enfrentada pelas mulheres. O estudo do Dieese mostra que é crucial a discussão sobre o tempo que homens e mulheres dedicam ao desenvolvimento das atividades domésticas e profissionais.


A coordenadora de Gênero e Etnia do Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Fortaleza, Helenice Pereira, explica que no caso dos trabalhadores do comércio, a reflexão sobre a realidade feminina é ainda mais urgente. “Na nossa cultura machista e patriarcal sobra para as mulheres todos os afazeres domésticos”, comenta, ressaltando que ela executa tarefas de mãe, esposa e trabalhadora. E essa jornada não é remunerada.


O estudo do Dieese mostra também que, quando comparado o rendimento/hora de homens e mulheres no comércio, a mulher, em quatro das seis regiões pesquisadas, ganha menos do que os homens.

88,5%

DO RENDIMENTO DOS HOMENS, EM MÉDIA, É O SALÁRIO DAS MULHERES

R$ 654,00

É O SALÁRIO MÉDIO DAS MULHERES NO SETOR COMÉRCIO DA REGIÃO METROPOLITANA DE FORTALEZA

38,2%
É O ÍNDICE DA MÃO DE OBRA FEMININA ASSALARIADA EM FORTALEZA. A MENOR PROPORÇÃO DO PAÍS