Mundo em transe

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A sociedade civil precisa ter protagonismo de fato e não mais apenas de direito. Não se trata de manter intacta a velha dicotomia claudicante e insustentável de governantes e governados, poderosos e ‘des-empoderados’. Na verdade, novas vozes precisam ser ouvidas com urgência avassaladora: as vozes sofridas das massas anônimas da humanidade. E estas vozes jamais serão ouvidas a se manter o atual desenho da posse dos meios de comunicação. Estes meios encontram-se tão dissociados da realidade humana que não sabem fazer nada diferente salvo a manutenção do status quo.


O advento de um novo ciclo no poder humano demonstrado – de forma incontestável – com o surgimento e acesso de milhões de seres humanos à rede mundial de computadores, à Web, descortinam ante às presentes gerações de seres humanos infindáveis possibilidades de trazer a lume milhões de visões de mundo, percepções da realidade bem como a construção de mundos virtuais através de redes sociais congregando objetivos, metas, anseios, aspirações, sonhos e utopias. Temos que aproveitar o momento antes que uma miríade de leis e regulamentos para se proteger os donos da informação venham engessar e criminalizar os usuários da ‘Grande Teia’.


As relações que sustentam a sociedade precisam ser repensadas, revistas, reexaminadas. Estas relações são as que fazem interagir estados nacionais, dentro e entre comunidades, entre indivíduos e instituições sociais, entre os próprios indivíduos, e entre a humanidade e a natureza ao seu redor. Nada, absolutamente nada, escapa ao imperativo da época em que vivemos: a percepção da unificação da espécie humana. Somos, com efeito, cidadãos e cidadãs de um único e mesmo País – o planeta Terra.


A miopia de sucessivas gerações, esparramando-se no leito dos milênios, não mais pode ser tolerada. Temos que nos ver a todos como passageiros de uma mesma História humana. E não existem cabines diferenciadas para primeira classe e para os serviçais, simplesmente porque este padrão enraizado de injustiças não mais se sustenta e está desmoronando por si mesmo. De tão podre.


Temos que nos olhar como somos – sujeitos de nossa história e aptos a escrevermos, com nossas próprias mãos, nosso próprio futuro. Neste vácuo de autoridade moral, nesses escombros de povos vítimas de seus governantes, massas de manobras de interesses inconfessáveis na velha e cruel luta do (e pelo) poder, há que surgir novos personagens que articulem uma estrutura visionária e ambiciosa que permita o florescimento humano.


Washington Araújo – jornalista e escritor