Na contramão da geração de emprego, bancos privados continuam demitindo

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Com a divulgação dos lucros dos bancos no 3º trimestre de 2012, pode-se observar que além de bilionários, eles refletem uma triste realidade para a categoria: em contrapartida às estratosféricas quantias arrecadas até então, as demissões e a alta rotatividade no setor vêm pondo em xeque o emprego bancário.


Somente de janeiro a setembro deste ano, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander lucraram juntos R$ 24,39 bi. O Itaú anunciou lucro de R$ 10,1 bi, o Bradesco R$ 8,6 bi, enquanto o Santander lucrou R$ 5,694 bilhões. Entretanto, esses números podiam ainda ser bem maiores, pois os bancos agora estão usando o truque do PDD, as famigeradas provisões para devedores duvidosos, uma manobra contábil de superdimensionar provisões que puxa a lucratividade para baixo e fez com que Bradesco, Santander e Itaú apresentassem lucros um pouco inferiores ao mesmo período do ano passado.


Na contramão – A taxa de desemprego em setembro ficou em 5,4% e foi a menor taxa para um setembro desde 2002, de acordo com o IBGE. Entretanto, andando na contramão do mercado de trabalho, os bancos privados vêm demitindo de forma deliberada.


Apesar do lucro bilionário, em um ano e meio, o Itaú demitiu um total de 13.595 funcionários, segundo análise do Dieese – apenas em 2012, foram 7.831 postos de trabalho cortados em todo o Brasil até setembro.


No Ceará, o Itaú demitiu 57 funcionários, sendo que destes, 51 foram sem justa causa. Além disso, desses 57 demitidos, 36 tinham entre zero e cinco anos de banco, salientando a alta rotatividade existente no setor financeiro. “Esse aumento no número de demissões no setor privado como um todo reflete a voracidade dos banqueiros por lucro indiscriminadamente. O cenário mostra como os bancos só enxergam as cifras, em detrimento de um ambiente saudável de trabalho e de um atendimento digno à população”, analisa Ribamar Pacheco, diretor do Sindicato e representante do Nordeste na COE Itaú.


De mãos dadas com o Itaú no ranking das demissões vem o Bradesco que demitiu 1.002 funcionários apenas nos últimos seis meses. Com isso, o quadro nacional de funcionários do banco caiu para 104.100 bancários. No Ceará, o Bradesco demitiu 56 funcionários, contando com os ex-becistas (cinco). Destes, 22 tinham entre zero e cinco anos de banco, também mostrando a alta rotatividade dentro da empresa.  “É um verdadeiro absurdo que um banco tão lucrativo como o Bradesco, que cobra altas taxas dos seus clientes e oferece um mínimo de segurança, precarize ainda mais o atendimento demitindo funcionários. Além disso, os próprios bancários acabam sofrendo ainda mais com cobranças de metas abusivas, assédio moral e com a própria demanda de serviços do banco que é muito grande”, avalia Robério Ximenes, diretor do Sindicato e funcionário do Bradesco.


Já o Santander, foi o único que apresentou uma pequena alta nas contratações. No primeiro trimestre, o quadro era de 55.053 funcionários, sendo reduzido para 54.918 no segundo trimestre, o que representou um corte de 135 vagas. No terceiro trimestre, o número de trabalhadores subiu para 55.120, significando a criação de 202 vagas.


No Ceará foram 36 demissões em nove meses, sendo 22 sem justa causa e 27 entre os bancários com zero a cinco anos de banco, também confirmando um cenário de rotatividade. “Apesar dessa pequena alta na geração de emprego apontada nesse trimestre, ela é insuficiente para a demanda. Ainda é muito grande a carência de funcionários nas unidades”, ressalta o diretor do Sindicato e funcionário do Santander, Clécio Morse.