Na contramão, Itaú e Santander fecham 3.335 postos de trabalho no 2º trimestre

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Enquanto o sistema financeiro continua gerando empregos, muito embora bem abaixo do restante da economia brasileira, o Itaú e o Santander fecharam 3.335 postos de trabalho no segundo trimestre deste ano, segundo a Subseção do Dieese da Contraf-CUT. A informação consta nos balanços semestrais publicados nos últimos dias. O Itaú cortou 2.290 empregos e o Santander, 1.045.


“Estamos com razões de sobra para cobrar emprego decente dos bancos, principalmente do Itaú e do Santander, porque é injustificável esse corte de postos de trabalho, no momento em que o Brasil vai crescendo e criando novas vagas”, afirma o funcionário do Itaú e presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro. “Além disso, os dois bancos lucraram juntos mais de R$ 11 bilhões no primeiro semestre, o que revela a falta de compromisso com o Brasil e os brasileiros”, aponta.

ITAÚ – Apesar de ganhar o prêmio de banco mais sustentável do mundo, conferido pelo jornal britânico Financial Times, o Itaú encerrou o mês de junho com 107.546 trabalhadores. Isso significa uma redução de 2.290 empregos em relação aos 109.836 que a instituição tinha no mês de março. “O banco não devia ter recebido tal condecoração, uma vez que ao reduzir postos de trabalho fragilizou a principal sustentabilidade de uma empresa, que são os seus funcionários”, destaca Carlos Cordeiro.


No primeiro semestre, o Itaú lucrou R$ 7,133 bilhões, um crescimento de 11,5% em comparação ao mesmo período de 2010. “O banco devia ter seguido no caminho da geração de empregos, como vinha ocorrendo nos trimestres anteriores”, lamenta.


“Esse corte inaceitável, somada à política de rotatividade que praticou no mesmo período e às precárias condições de trabalho, confirma totalmente as denúncias das entidades sindicais, que tomaram as ruas nas últimas semanas em todo País e protestaram contra cerca de 4 mil demissões, cobrando emprego decente, respeito, saúde e dignidade”, salienta o presidente da Contraf-CUT.

SANTANDER – O banco espanhol fechou o mês de junho com 53.361 trabalhadores. Isso representa uma redução de 1.045 postos de trabalho diante dos 54.375 que o Santander tinha no mês de março. “A instituição devia ter mantido o rumo da criação de empregos, como vinha ocorrendo nos trimestres anteriores”, aponta o funcionário do Santander e secretário de imprensa da Contraf-CUT, Ademir Wiederkehr.


No primeiro semestre, o Santander lucrou R$ 4,154 bilhões, um crescimento de 17,7% frente ao mesmo período de 2010. Isso significa que o banco no Brasil passou a responder por 25% do resultado mundial do grupo, superando a participação de 13% da matriz na Espanha.


“Essa perda de empregos é também inaceitável e revela o desrespeito ao empenho e à dedicação dos trabalhadores, submetidos à pressão no trabalho com metas abusivas e assédio moral, além de falta de pessoal na rede de agências”, frisa Ademir. “Queremos que o Santander respeite o Brasil e os brasileiros”, conclui.