NÃO continua sendo a palavra dos banqueiros às reivindicações da categoria

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Nada de diferente. Os banqueiros continuam dizendo NÃO na hora de negociar as reivindicações dos bancários da Campanha Nacional 2015. Foi assim nas duas primeiras rodadas, com os temas emprego, saúde, segurança e condições de trabalho. A Fenaban ficou na mesma toada, no dia 9/9, em São Paulo, para as reivindicações sobre igualdade de oportunidades, as quais visam corrigir discriminações históricas de gênero, raça e orientação sexual nos locais de trabalho.


A Fenaban voltou a negar os problemas, mas o ambiente bancário ainda está longe de ser democrático. Durante a negociação, o Comando Nacional dos Bancários ressaltou a necessidade de democratizar o acesso ao trabalho para mulheres, negros, indígenas, homoafetivos e trabalhadores com deficiência, para que tenham igualdade de condições de contratação, independentemente de idade e condições econômicas.


Mulheres – As mulheres apresentam melhor qualificação educacional que os homens nos bancos, segundo II Censo da Diversidade identificou que 82,5% têm curso superior completo, contra 76,9% dos homens. As bancárias também estão em menor número nos cargos de direção. Apesar do número de bancárias ter aumentado, não mudou a realidade da distorção salarial entre as mulheres e os homens. Elas continuam ganhando menos e ocupando poucos cargos de direção.


PCS – O Comando propôs debater um Plano de Cargos e Salários para todos, para corrigir as distorções de mobilidade nas carreiras e um processo seletivo interno para promoções. Reivindicaram que os critérios passem a ser objetivos para que todos os funcionários tenham igualdade de oportunidades. A Fenaban usou de levantamento próprio para negar discriminação, argumentando que das últimas promoções de cargos, executadas pelos bancos, 54% foram de homens e 46% de mulheres.


Os bancários também defenderam o reajuste anual de 1% para os funcionários a cada ano completo de serviço. Os bancos responderam que promoções por tempo de serviço não são mais utilizadas pelas corporações. O critério certo, segundo a Fenaban, é a avaliação das competências e a meritocracia.


Pessoas com deficiência – Os trabalhadores com deficiência representam, atualmente, apenas 3,6% da categoria bancária, comprovando que os bancos não estão respeitando a cota de 5%, prevista na Lei Federal 8.213, promulgada há 24 anos. O Comando reivindicou mais contratações e solicitou que as instituições parem de incluir os reabilitados que tinham sido afastados por motivo de saúde na cota de PCD, como tentativa de demonstrar que estão cumprindo a legislação. A Fenaban nega o desrespeito à lei, ao dizer que podem efetuar tal manobra, sem esclarecer o número de trabalhadores reabilitados.


Assédio sexual – Para avançar no combate ao assédio moral, os trabalhadores querem instalação de um grupo de trabalho para produzir uma campanha de prevenção, em conjunto com os bancos. Além de acompanhar o processo de apuração e solução dos casos.


Ausências remuneradas – A pauta dos bancários também quer garantir aos pais o direito a um dia de ausência remunerada, a cada seis meses, para participar de reuniões escolares com os professores para cada filho, seja natural, adotado ou enteado, em idade escolar.


Identidade visual – O Comando Nacional cobrou respeito à expressão de personalidade e identidade visual dos empregados, defendendo que já passou da hora dos bancos deixarem de interferir no corte de cabelo, na barba e até nas roupas dos funcionários. A Fenaban se recursou a colocar esta cláusula na Convenção Coletiva de Trabalho e preferiu passar o bastão para cada banco, sem levar em conta a importância que o debate merece, ao tratar do combate à discriminação no ambiente de trabalho.


“As negociações têm sido duras, mas estamos mobilizados. Os bancos continuam ganhando muito e têm totais condições de atender nossas reivindicações. Nós estamos intensificando nossa mobilização nas agências, conversando com a categoria nos locais de trabalho e todos têm demonstrado disposição para a luta para mantermos nosso histórico de ganhos reais e avançarmos nas conquistas”
Carlos Eduardo Bezerra, presidente do Sindicato e representante do Ceará no Comando