No Ceará, bancários do Santander cobram PLR mais justa

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Foi com o mesmo questionamento da música “Onde está o dinheiro?”, de Gal Costa, que sindicatos dos bancários de todo o País organizaram na, terça-feira, 19/5, o Dia Nacional de Luta dos Funcionários do Santander. Os bancários reivindicaram melhoria na Participação nos Lucros e Resultados (PLR), o fim das demissões no banco, o Plano de Cargos e Salários (PCS), além de melhores condições de trabalho e inclusão dos pais dos bancários no plano de saúde. No Ceará, o ato aconteceu em frente à agência do Santander da rua Major Facundo, no Centro de Fortaleza, próximo à Praça do Ferreira. A participação animada da bandinha e as falações incisivas dos diretores do Sindicato dos Bancários do Ceará marcaram a manifestação.


Os trabalhadores do banco espanhol estão indignados com a queda no valor da PLR, ocorrida por conta do balanço “mágico” divulgado pelo banco no final de 2008, que transferiu –para destino desconhecido – cerca de R$ 2 bilhões. O lucro do banco ficou em R$ 2,759 bilhões, quando anúncios anteriores, inclusive declarações do presidente internacional da empresa, Emílio Botin, davam conta de um resultado na casa dos R$ 4,8 bilhões. Ou seja, o banco modificou o balanço para pagar uma PLR menor aos bancários. “Que o dinheiro da Espanha fique aqui no Brasil também e possa ser distribuído entre seus funcionários de forma justa”, disse Alex Citó, diretor do SEEB/CE.


O banco também subtraiu do balanço cerca de R$ 571 milhões a título de amortização do ágio de R$ 26,3 bilhões da compra do banco Real e da ABN Amro Brasil. Segundo a legislação, o banco pode abater o ágio em até dez anos, o que significa uma média anual de R$ 2,6 bilhões.

Para piorar a situação, o Santander aprovou, em reunião de acionistas ocorrida no final de abril, o valor de R$ 233,8 milhões para gastar com a remuneração de seus 26 diretores-executivos. Para o diretor do SEEB/ CE e funcionário do Santander, Aílson Duarte, “os banqueiros podem reclamar de tudo, menos de que não têm lucro. O sistema financeiro nunca esteve tão sólido”.


O banco é campeão de assédio moral e apresentou o maior número de demissões em massa – cerca de 1.000 funcionários em todo o país – depois da fusão com o banco Real. No Ceará, foram 71 demissões desde 2008. Na manifestação, o diretor do SEEB/CE e funcionário do Santander-Real, Eugênio Silva, criticou as metas sobre-humanas impostas pelo banco e denunciou casos de assédio moral no Santander do bairro Aldeota. “Esperamos que na reunião do dia 26/5, o banco se sensibilize e apresente uma proposta de adicional de PLR”, acrescentou Eugênio Silva.