No Ceará, BB inova em burlar Acordo Coletivo na prática de assédio moral

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O Sindicato dos Bancários do Ceará teve reunião com a Superintendência Estadual do BB, no dia 5/6, para apurar fato da mais alta relevância para o funcionalismo, que chegou ao conhecimento da entidade sindical, sendo presenciado em diversas unidades, onde colegas de trabalho foram encontrados chorando durante o expediente. A pressão para o cumprimento de metas e o assédio moral que geralmente acompanha essas cobranças tem se tornado uma prática comum para alguns gestores e podemos afirmar quase uma “filosofia” para o banco no cumprimento das metas abusivas. O Super não confirmou se irá efetivar os descomissionamentos, mas insistiu que caso queira, é possível fazê-lo como ato de gestão.

Denúncia – No último dia 31 de maio, um grupo de aproximadamente 20 gerentes foi convocado a comparecer à Super/CE para serem informados que a direção nacional do banco estava exigindo que os gerentes que não cumprissem o sub item da meta – financiamento de veículos – fossem todos descomissionados. O aviso a todos foi: “se não cumprirem essa meta, serão todos descomissionados”.


Foi então definido um prazo, até o último dia 8/6, para que este grupo de gerentes cumprissem a meta definida. Para tanto, foi exigido a assinatura em “Termo de Compromisso”. E pasmem, foi informado que a partir desse “procedimento inovador”, quem não cumprir será descomissionado por insubordinação. Mesmo estando estes gerentes com suas metas de crédito já cumpridas, o que amplia ainda mais a injustiça, pois seriam punidos somente pelo não cumprimento de um sub item de suas metas.


Isso é muito grave, não só porque expõe a prática nociva do assédio, mas evidencia o desrespeito com as normas coletivas contratadas nacionalmente. Outros fatos relevantes que perpassam a denúncia é a evidente falta de gestão e acompanhamento das metas pela empresa. Ficou evidente a falta de feedback para as equipes, pois como que somente no final do semestre, com as metas de crédito já cumpridas pelos gerentes é que se percebe a importância do sub item financiamento de veículos? Ou se este item ganhou relevância, por que então não redimensioná-lo para os semestres futuros?


Não, mas para essa direção é preciso punir. E punir exemplarmente, inclusive os que cumprem seus objetivos, para manter o jugo e a pressão constante sobre todos.

Outra questão – A recente política adotada pelo governo federal, que consideramos correta, de redução de juros, tem levado os clientes a tomar outras modalidades de crédito mais baratas, por exemplo, o consignado. A direção do BB quer que sejam “empurradas” linhas mais caras, para o atingimento de suas metas? Além de ir contra as orientações do próprio governo e a ideia da redução das taxas de juros, o próprio cliente está ciente disso. A direção da empresa espera ou induz que seus gerentes enganem a população?


Isso também o Sindicato dos Bancários do Ceará não aceitará, e por isso vai apurar os fatos e caso sejam procedentes irá tomar uma série de providências para garantir os direitos dos bancários:


• Denunciar amplamente o fato e as práticas de assédio moral nos ambientes de trabalho;


• Exigir o cumprimento dos termos do ACT 2012, que proíbe o descomissionamento antes da 3ª avaliação negativa;


• Denunciar o BB por descumprimento de Acordo Coletivo de Trabalho;


• Denunciar e promover o competente processo judicial para apuração de prática de assédio moral coletivo;


• Apurar a denúncia da prática do assédio moral estrutural, uma vez que houve a informação de se tratar de uma exigência nacional, junto à Contraf-CUT.


O Sindicato dos Bancários do Ceará conclama a todo o funcionalismo a ser solidário nessa luta, pois o que hoje atinge 20 colegas tem sido prática recorrente nos demais locais de trabalho, acabando com a saúde e a qualidade de vida de milhares de profissionais. Além disso, o BB está cada vez mais repassando os riscos e as responsabilidades do negócio bancário, que são seus, para seus funcionários. Vamos dar um basta a essa situação!