Número de casos da doença são alarmantes em todo o País

48

Em 2010, foram notificados 198 casos de dengue hemorrágico (FHD) no Ceará: 80 na Capital e 118 no Interior. Destes, foram confirmados 26 casos em Fortaleza e 37 no Interior. Sete chegaram à óbito. Os casos de Dengue com Complicação (DCC) foram 103 com 22 óbitos em todo Estado. No total, foram 29 mortes e 7 ainda estão sob investigação. Os números são da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) publicados através do Informe Semanal sobre a doença.

Em 2011 a situação se agravou. Segundo o boletim, até o dia 15/4, foram notificados 26.485 casos suspeitos de dengue em 175 municípios cearenses. Destes, 11.807 casos foram confirmados em 160 municípios. O levantamento aponta 25 mortes desde o começo do ano e outras 38 mortes permanecem em investigação. Sobre as ações que estão sendo desenvolvidas pelo governo estadual para vencer a epidemia, a assessoria de comunicação da Sesa afirma que o governo concentra suas atividades em campanhas de conscientização – tarefa de todos os poderes públicos –, em capacitação de profissionais da saúde para melhorar a orientação médica e em alertas através de vários meios de comunicação.


Ainda segundo a assessoria, a Secretaria está acompanhando de perto a situação epidêmica em todo Estado e acrescenta que seu titular, Arruda Bastos, e uma equipe de técnicos estão visitando dois municípios a cada semana para reforçar as ações de controle da dengue. O objetivo das visitas aos municípios – que registram óbitos e elevado número de casos – é melhorar a rede de assistência aos pacientes para o diagnóstico precoce da doença, e assim, evitar novos óbitos. A assessoria da Sesa destacou ainda que as atividades de visita domiciliar dos agentes de saúde são de responsabilidade dos municípios.


Em Fortaleza, a prefeitura também está entre as forças de combate à dengue. No dia 20/4, por exemplo, foi lançada a campanha “Dengue? Na minha escola, não!”, que pretende realizar um trabalho de ações preventivas nas escolas municipais, em conjunto com pais e alunos. Nos últimos dias 21, 22 e 23, os moradores de Fortaleza se depararam com carros fumacê circulando por 53 bairros da cidade. O fumacê reduz a infestação do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue e é solicitado à Sesa pelas prefeituras em casos emergenciais, quando a mobilização da comunidade não for suficiente para eliminar os criadouros do mosquito em caixas d’água, potes, baldes e pneus descobertos, e quando o tratamento focal, feito pelos municípios, não foi eficaz.

Dengue no Ceará


Histórico – Há casos de dengue notificados no Ceará desde 1986. Nesses últimos 23 anos o dengue se manifestou de forma endêmica com o registro de quatro picos epidêmicos nos anos de 1987, 1994, 2001 e 2008. Destacam-se as epidemias de 1994 pelo maior número de casos confirmados e 2008 com o maior número de casos hemorrágicos da doença. Em 1994 o principal fator para ocorrência dos primeiros casos hemorrágicos foi a circulação do sorotipo DENV 2. O sorotipo DENV 3 foi isolado no ano de 2002 no Ceará, aumentando significativamente o risco da ocorrência de casos graves de dengue. Desta forma, com a circulação simultânea de três sorotipos e um grande número de municípios infestados pelo Aedes aegypti já a partir do ano de 2001 o número de casos graves da doença começa a aumentar. Destacamos ainda que nos últimos oito anos, foram registrados casos da doença em todos os meses do ano, sempre com um predomínio no primeiro semestre, devido provavelmente a fatores como o aumento da pluviosidade, temperatura e umidade. No ano de 2010, 155 (84,2%) municípios apresentaram infestação pelo Aedes aegypti e 125 (67,9%) municípios apresentaram transmissão comprovada de dengue, com um aumento importante no número de casos, quando comparados ao ano de 2009.


• Entre o número de casos da doença notificados no Estado em 2011, destaca-se o município de Itapipoca, com 825 casos, que começou a apresentar um aumento de notificações já no final de 2010. Além de Itapipoca chama atenção o aumento no número de casos, nos últimos meses de 2010, nos municípios de Pacatuba, Guaiúba, Massapê, Santa Quitéria e Icó.


• Foram confirmados 4 óbitos por Febre Hemorrágica da Dengue (FHD): 1 em Icó, 1 em Chorozinho, 1 em São Gonçalo do Amarante e 1 em Fortaleza.


• E 21 óbitos por Dengue com Complicação (DCC): 5 em Fortaleza, 4 em Caucaia, 2 em Itapipoca e 2 em Itaitinga e 1 em cada um dos municípios: São Gonçalo do Amarante, Ocara, Acarape, Quixadá, Maracanaú, Granja, Tejuçuoca e Morada Nova.


• A situação da dengue no Ceará é considerada epidêmica por apresentar a incidência de um grande número de casos da doença em um curto período de tempo.


• No controle químico, feito pelos carros fumacê, o inseticida é fornecido pelo Ministério da Saúde e utilizado exclusivamente em situações de emergência e de forma racional e segura. A ação do inseticida é temporária. Tem duração de 40 minutos a 1 hora e meia. A aplicação do inseticida provoca o desalojamento do mosquito adulto por sua ação repelente e o atinge em pleno voo, única forma de ter eficácia. A ação do produto só é efetiva quando o inseticida está em suspensão no ar. Ou seja, voando. O inseticida não mata as larvas do Aedes aegypti, que estão em caixas d’água, potes, baldes, pneus, lajes.

Fonte: Secretaria de Saúde do Governo do Estado