O banco que facilita a ação de assaltantes e corta empregos

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Com o pretexto nada convincente de “evitar constrangimentos”, o Itaú Unibanco está retirando gradativamente de suas agências as portas giratórias detectoras de metais. Seguindo o [mau] exemplo do Bradesco, o Itaú copia um modelo de agência que diminui a segurança de clientes e usuários e facilita a ação de assaltantes.


No último dia 25/1 o Sindicato dos Bancários realizou uma manifestação em frente à agência do Bradesco da Av. Aguanambi protestando contra a ausência das portas giratórias. Dias antes, a unidade tinha sido alvo de assaltantes e, segundo a Polícia, a falta do equipamento facilitou a ação dos bandidos.


De acordo com o plano de segurança bancária (Lei Federal 7102/83), para funcionar, uma agência deve apresentar pelo menos três itens de segurança: a presença de vigilantes armados, alarme eficiente e mais um desses itens – equipamentos elétricos, eletrônicos e de filmagens; artefatos que retardem a ação dos criminosos, como: portas giratórias detectoras de metais e equipamento de retardo instalado na fechadura do cofre ou cabina blindada com vigilante. Acontece que, ao optar, como no caso do Bradesco, pela não colocação de portas giratórias, esses bancos expõem seus clientes, usuários e trabalhadores à insegurança.


“Isso é um retrocesso absurdo. Se é para evitar constrangimento que o Itaú está retirando as portas giratórias, isso não se justifica. Constrangimento maior é o bancário e a população estar exposta à ação de assaltantes dentro da unidade. Sabemos que não é só a porta giratória que vai barrar 100% a ação das quadrilhas de assalto a bancos, mas a ausência do equipamento facilita e até põe o Itaú como um dos principais alvos desses bandidos”, analisa o diretor do Sindicato dos Bancários do Ceará e funcionário do Itaú, Ribamar Pacheco.


Para a Contraf-CUT e a Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), essa medida absurda, iniciada no ano passado por ocasião das reformas nas unidades do Itaú em cidades sem lei municipal que obrigue a colocação desse equipamento, aumenta a insegurança e coloca ainda mais em risco a vida de trabalhadores e clientes.


O Itaú afirma que retirará essas portas em todas as agências do País, só mantendo o equipamento onde for obrigado por lei [municipais ou estaduais].

Tendência negativa – Segundo o que vem sendo divulgado na grande imprensa, os principais bancos privados do País estão iniciando um processo de retirada das portas com detectores de metal das agências. Feita de forma gradual e sem alarde, a ação é um refluxo da disseminação destes equipamentos deflagrada nas décadas de 1980 e 1990, quando o Brasil via recordes de roubos a bancos. Naquela época, São Paulo registrava mais de 1.200 roubos por ano. Em 2011, foram 251 casos registrados. Na avaliação de Ademir Wiederkehr, secretário de imprensa da Contraf-CUT e coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária, esses números comprovam a eficácia das portas giratórias, pois a queda ocorreu justamente após a sua instalação. “A retirada das portas pode aumentar os assaltos, na medida em que as quadrilhas vivem atacando as agências e postos de atendimento mais vulneráveis e inseguros”, alerta.


O argumento dos bancos gira em torno de que, apesar da queda nas ocorrências, as portas giratórias estão sendo retiradas devido ao grande número de processos judiciais. São ações de danos morais de clientes constrangidos diante de dificuldades de acesso às agências após o travamento das portas. Para a Contraf-CUT, essa desculpa dos bancos não se sustenta, sobretudo porque estes sequer apresentam dados para justificar. “Tais processos judiciais são certamente insignificantes diante de milhares de ações trabalhistas e de milhares de reclamações de clientes contestando as altas taxas de juros e a cobrança indevida de tarifas. Além do mais, a vida não tem preço”, ressalta Ademir.


Para a Contraf-CUT e a CNTV, as portas giratórias deveriam ser obrigatórias para todas as agências e postos de atendimento bancário, sendo uma das propostas dos trabalhadores para o projeto de lei que cria o estatuto de segurança privada, que está em estudo no Ministério da Justiça, a partir de iniciativa da Polícia Federal. “Além disso, apoiamos projetos de leis municipais e estaduais que determinam a instalação de portas giratórias e outros equipamentos, como forma de prevenir assaltos e sequestros e proteger a vida de trabalhadores e clientes”, conclui Ademir.


Lucro deveria gerar investimento em segurança e emprego – O Itaú anunciou na terça-feira, 7/2, lucro líquido de R$ 14,62 bilhões em 2011, o maior da história do sistema financeiro nacional. Mas, investe pouco em segurança.


Pesquisa realizada pelo Dieese no final de 2011 mostra que mesmo com lucros recordes, o Itaú investiu apenas 3,28% do seu lucro em despesas com segurança e vigilância. Para investir menos que ele, só mesmo o Bradesco – que investiu 2,88% do seu lucro em segurança. Justamente os dois que adotam a postura de não implantar portas giratórias nas suas unidades.


“Isso facilita as ações dos assaltantes e mostra o descaso dos banqueiros com a proteção à vida de trabalhadores, clientes e usuários. Em nenhum momento, os bancos descumprem a lei, mas a falta de um item tão importante quanto a porta giratória abre espaço para criminosos e expõe todos a um risco que poderia ser evitado”, reforça Carlos Eduardo Bezerra, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará, enfatizando que a instalação de portas giratórias antes mesmo do autoatendimento é uma das bandeiras de luta dos bancários para reforçar a segurança nas unidades.

Emprego – Além de mostrar descaso com a segurança de bancários e clientes, o Itaú também mostra que não quer saber de valorização do emprego. O banco fechou 4.058 postos de trabalho em 2011. O lucro de R$ 14,6 bilhões do Itaú no ano passado foi 9,74% maior que o resultado de R$ 13,3 bilhões de 2010. A receita com prestação de serviços cresceu 11,39% e as despesas de pessoal aumentaram apenas 7,27% (menos que o índice de reajuste de 9% da campanha nacional do ano passado). A relação entre as receitas de prestação de serviços e as despesas de pessoal cresceu de 137,34% em 2010 para 142,61% no ano passado. “Ou seja, o Itaú cobre quase uma vez e meia toda a folha de pagamento somente com a cobrança de tarifas dos clientes”, critica Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.