O boleto eletrônico pode trazer riscos ao emprego dos bancários

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Enquanto os bancos economizam custos com o Débito Direto Autorizado (DDA), para os bancários o novo serviço de apresentação eletrônica de boletos pode significar menos empregos. Em vigor desde 19/10, o DDA foi apresentado como um serviço para facilitar a vida dos clientes e também como forma de preservação ecológica. O sistema representará uma relevante economia para as instituições financeiras, que terão menos custos com impressão e envio de cobranças. Os valores investidos para colocá-lo em operação revelam um pouco das cifras que os bancos estão querendo economizar.


A terceirizada Tivit foi contratada por R$ 20 milhões para poder operar com o DDA. Segundo a Febraban, as instituições financeiras investirão mais R$ 77 milhões nos próximos nove anos. Além disso, há investimentos para a adaptação à nova tecnologia. A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf-CUT) está atenta para evitar que o retorno desses investimentos seja feito com o corte de empregados ou aumento de tarifas.


Como explica o secretário de Organização da Contraf-CUT, Miguel Pereira à Tribuna Bancária, a implantação de tal modelo de recebimento pode alterar a rotina de caixas, pessoal de processamento, da compensação, trabalhadores das terceirizadas, inclusive nas empresas que entregam correspondências e motoboys, porque se elimina a emissão física dos boletos. “Nossa preocupação com a implantação de mais esse serviço automatizado é o seu provável rebatimento no nível de emprego da categoria, porque toda vez que uma nova tecnologia ou serviço automatizado é disponibilizado eliminando o volume e o processamento de papéis, os trabalhadores envolvidos no recebimento, processamento, contabilização, enfim todas as operações envolvidas, acabam tendo seus postos de trabalho eliminados”, declara.


Para o presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará, Carlos Eduardo Bezerra, a sociedade deve estar alerta: “temos de ficar atentos se vai haver, posteriormente, cobrança de tarifas aos clientes. Outra questão a ser levantada é que esse serviço só está disponível para quem tem acesso à Internet, o que não é o caso da maioria da população brasileira”, diz.


No ano passado, os bancos movimentaram cerca de 2 bilhões de boletos de planos de saúde, consórcios, financiamentos de carro e casa própria, taxas de condomínio, cartões de crédito e cobranças, entre outros. Anualmente, esse volume cresce 12%, segundo dados da Fenaban. A meta das instituições financeiras é migrar para o DDA 50% do volume de boletos nos próximos três anos.


“Vamos acompanhar o ritmo de adesão dos clientes ao DDA, no volume de operações das agências os prováveis impactos no número de trabalhadores que efetuam esse tipo de tarefa, via Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), para caso seja necessário, agendemos uma negociação com a Fenaban”, afirmou Miguel Pereira.

O QUE É?
O DDA é uma forma eletrônica de visualizar os boletos de cobranças. Cada banco define quais canais disponibilizarão os boletos eletrônicos, entre eles a internet, o caixa eletrônico e o telefone. A princípio, ele trabalhará com contas de planos de saúde, taxas de condomínio, mensalidades escolares, assinaturas de publicações. Por enquanto, os tributos e serviços de concessionárias (água, luz, gás e telefone) não serão apresentados pelo novo sistema.