O que seria do Brasil sem os bancos públicos?

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A Caixa é responsável por 66,8% do saldo de financiamento de imóveis no Brasil, incluindo o Minha Casa, Minha Vida. O BB financia 61,3% do crédito agrícola. Já o BNB tem atuação fundamental no microcrédito e na agricultura familiar (Pronaf), além de movimentar R$ 11 bi/ano através do FNE. Dos empregos bancários no país, 42,1% estão nesses dois bancos, assim como 37,6% das agências bancárias e 40,5% do total de contas correntes. E não é por acaso, já que são eles os responsáveis pelo pagamento de uma série de programas sociais, atendimento aos trabalhadores, acesso ao crédito com taxas mais baixas pelo Brasil afora, onde muitas outras instituições não se interessam em atuar.


Desmonte – Por tudo isso, o movimento sindical vem denunciando à população o que está acontecendo com esses bancos desde que o Brasil passou às mãos do golpista Michel Temer. Processos de reestruturação e programas de demissão de bancários devem extinguir cerca de 10 mil empregos tanto no BB como na Caixa e BNB até março. Com menos trabalhadores à disposição dos clientes, a insatisfação pode fazer com que muitos usuários migrem para bancos privados, além de gerar um enfraquecimento na atuação dessas instituições. Será essa a real intenção por trás de todas as ações promovidas por esse governo contra as empresas públicas?


BNDES também na mira – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social sofreu uma descapitalização de R$ 100 bilhões, que foram devolvidos ao Tesouro Nacional. Desde 2008, o financiamento total do BNDES cresceu 76,2% em termos reais, chegando à casa dos R$ 601 bi em dezembro de 2016. Desse total, R$ 522 bi foram destinados ao investimento de empresas na economia brasileira. O BNDES teve papel fundamental para o acesso ao crédito que ajudou no crescimento do País nos últimos anos. Enfraquecer esses bancos é enfraquecer o Brasil.


“BB, Caixa, BNB e outros bancos públicos têm um papel primordial no Brasil. Sem bancos públicos e fortes, o sonho da casa própria estará ameaçado; a política de alimentos do país corre riscos, inclusive com aumento de preços aos consumidores; investimentos fundamentais para o desenvolvimento da nação estarão comprometidos; cada vez menos brasileiros terão acesso a atendimento bancário decente entre outros prejuízos. Lutaremos até o fim pelo fortalecimento e defesa dessas instituições”
Carlos Eduardo Bezerra, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará e da Fetrafi/NE