Obesidade se cura com força de vontade

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Mais do que uma dificuldade de natureza estética, a obesidade é tratada atualmente como um sério e crescente problema de saúde pública. Segundo um estudo realizado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), o mundo abriga hoje cerca de 300 milhões de obesos, entre moderados, severos e mórbidos. Os números são tão assustadores que o órgão tem classificado a doença como uma epidemia. E no Brasil, não é diferente. O País é um dos que mais sofrem com a enfermidade com seus 17 milhões de obesos, de acordo com dados do IBGE.


Os fatores que causam a obesidade são vários, vão desde os genéticos e hereditários até os metabólicos e sociais. Mas são outros fatores, que estão diretamente ligados a modernidade, que são destacados pelo médico cirurgião Dr. Luiz Moura, coordenador do Núcleo do Obeso do Ceará. “O sedentarismo e a facilidade no acesso a objetos sem gastar muita energia são os grandes vilões da obesidade atualmente”, declara o médico, que faz questão de ressaltar que a grande dificuldade da obesidade não é o excesso de peso, mas sim as doenças decorrentes desse problema.


Hipertensão arterial, diabetes, doenças respiratórias e uma maior incidência de câncer são apenas algumas das graves conseqüências da obesidade para a saúde. Além dessas, Luiz Moura destaca outras de caráter social: “os obesos sofrem diariamente com o preconceito da população e, normalmente, ocupam cargos inferiores nos empregos, e devido a isso, possuem uma renda per capita menor”.

MAIS QUALIDADE DE VIDA – Segundo o médico cirurgião, o tratamento para a obesidade funciona a base de prevenção e de uma mudança no estilo de vida da pessoa. Ele afirma que, primeiramente, é preciso uma alimentação adequada na quantidade e qualidade. Exercícios físicos são destacados como um segundo passo para queimar o excesso de gordura e transformá-la em massa muscular. “É necessário também trabalhar e controlar a síndrome do comer compulsivo (vontade de comer mais do que o necessário) e, eventualmente, utilizar a ajuda de medicamentos, sempre sob orientação médica”, complementa.


Já em relação à cirurgia bariátrica, conhecida também como de redução do estômago, Luiz Moura declara que essa é uma saída recomendada apenas para indivíduos com IMC (Índice de Massa Corporal) acima de 35, que possuem doenças associadas que comprometem a qualidade de vida e que já tenham passado por várias tentativas de perda de peso sem sucesso. Apesar de ser uma técnica bastante utilizada atualmente, o médico a trata com cautela. “A operação é apenas um instrumento para ajudar a pessoa a sair da obesidade. É preciso também que a mudança no estilo de vida continue”.

DEPOIMENTOS – No Núcleo do Obeso do Ceará, não é difícil encontrar personagens que irão ou que já se submeteram à cirurgia bariátrica. Na expectativa estava Neilane Rodrigues, de 36 anos, que foi operada já no começa de setembro. Ela conta que é obesa desde criança e que as dores nas articulações a incomodam há um bom tempo. Depois de observar o resultado positivo do procedimento em dois amigos, Neilane decidiu que queria realizar a cirurgia. “Quero emagrecer uns 40 kg. Quero pesar por volta de 60 kg”, vislumbra.


Já pra Victor Ricardo de Sousa, de 44 anos, que fez a operação há cerca de quatro anos, a vida mudou completamente. “Começou pelas roupas”, disse. Ele afirmou que optou pela cirurgia devido a sérios problemas de saúde que apresentava, principalmente de pressão alta. “Se eu não fizesse, eu morria”, declarou. Apesar de ter tomado os suplementos alimentares recomendados apenas por um curto período, ele já perdeu 40 kg, para hoje exercer a profissão de taxista sem grandes dificuldades.

Cálculo de IMC


O Índice de Massa Corporal (IMC) é uma medida do grau de obesidade de uma pessoa. Através do cálculo de IMC é possível saber se alguém está acima ou abaixo dos parâmetros ideais de peso para sua estatura. O cálculo é feito pela divisão do peso, em quilogramas, pela altura do indivíduo ao quadrado. Depois de efetuar as contas, confira na tabela abaixo em que situação você está enquadrado:

Índice de Massa Corporal Situação







Abaixo de 18,5  Abaixo do peso ideal
Entre 18,5 e 24,9 Peso normal
Entre 25 e 29,9 Acima do peso ideal (sobrepeso)
Entre 30 e 34,9  Obesidade moderada ou tipo I
Entre 35 e 39,9  Obesidade severa ou tipo II
Acima de 40  Obesidade mórbida ou tipo III