Onda de assaltos continua na Capital e no Interior

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A Agência do Bradesco no Bairro Vila Velha

Antes era só no Interior onde o policiamento é precário, mas a semana recheada de assaltos e ataques a caixa eletrônico, inclusive na Capital, mostra que os assaltantes não temem mais nada, nem ninguém. Somente na última semana foram seis ataques, quatro em Fortaleza. As ações demonstram o quanto é urgente se tomar providências para coibir a violência e proteger a vida de clientes, usuários e bancários.


O primeiro caso aconteceu no último dia 3/9, em Ibicuitinga, no Sertão Central. Uma quadrilha composta entre 10 e 15 homens armados invadiu a cidade, por volta das 2 horas e tomou como reféns três agentes do Pró-Cidadania (que fazem segurança na cidade) levando-os para o posto avançado do Bradesco. Lá os assaltantes dinamitaram um caixa eletrônico e fugiram em dois carros e duas motos levando quantia em dinheiro não divulgada. Cinco assaltantes acabaram presos na região por policiais militares, entre eles uma mulher. O uso de explosivos e a manutenção de reféns viraram praxe nas ações de quadrilhas de assaltantes no Interior. Eles aproveitam o pouco policiamento e falta de movimento das madrugadas para agir.

QUIXERAMOBIM – Dois homens encapuzados e armados com pistolas assaltaram um posto da agência do Bradesco no centro do município de Quixeramobim (206 Km de Fortaleza). A ação aconteceu por volta das 10h40 da terça-feira, 6/9. O crime aconteceu depois que a dupla invadiu a agência, rendeu uma das funcionárias e anunciou o assalto, tomando todo o dinheiro que estava nos caixas do estabelecimento. Os acusados fugiram em uma moto, após tomarem cerca de R$ 9 mil, além de um celular da funcionária da agência.

AÇÕES NA CAPITAL – Um homem foi preso em flagrante no domingo, 4/9, após assaltar um caixa eletrônico do Banco Itaú, localizado no Centro da Capital. O homem foi preso ainda dentro de um dos caixas e o dinheiro foi recuperado, cerca de R$ 90 mil. Outros suspeitos que estavam no local conseguiram fugir.


No feriado de 7 de setembro, um grupo de cerca de 12 assaltantes armados invadiu a sede da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), rendeu vigilantes que estavam de plantão e arrombou caixas eletrônicos da unidade. Pelo menos 10 funcionários foram feitos reféns e trancados dentro de uma sala. Na ação, dois caixas eletrônicos, do Bradesco e do Banco do Brasil, foram abertos com o auxílio de um maçarico. Informações preliminares dão conta de que a quadrilha conseguiu levar cerca de R$ 300 mil reais. Os equipamentos haviam sido abastecidos com cédulas no dia anterior ao assalto.

BRADESCO NÃO SE PREOCUPA COM A SEGURANÇA – Já no dia seguinte, 8/9, cinco homens roubaram três malotes com dinheiro da agência do Bradesco do bairro Vila Velha, em Fortaleza. Segundo a Polícia, os acusados estavam em uma fila, agindo naturalmente, e, de repente, um assaltante vestido com roupas semelhantes às da Coelce anunciou a ação. A quantia levada seria por volta de R$140 mil.


O Sindicato visitou a unidade na última sexta-feira, 9/9, e os diretores Gabriel Motta, Bosco Mota e Robério Ximenes constataram a insegurança da unidade e o medo no rosto dos funcionários. Detalhe: mesmo sendo irregular, a agência estava funcionando normalmente. “Essa agência do Bradesco, como várias outras, não tem sequer porta giratória. Qualquer pessoa pode entrar portando o que bem entender. O Sindicato vem batendo nessa tecla da segurança, mas o Bradesco insiste em expor a vida de bancários e clientes”, disse Gabriel. O diretor Robério complementa: “a agência abriu normalmente sem qualquer condição de funcionamento. O banco só visa o lucro, enquanto os funcionários, traumatizados, são obrigados a trabalhar. O clima dentro do Bradesco está péssimo devido a insegurança”, disse.

ASSALTO EM MARACANAÚ – Na madrugada da quinta-feira, 8/9, outro assalto ocorreu. Desta vez, no Centro Administrativo de Maracanaú, onde funcionam várias secretarias da Prefeitura. Com um maçarico, os assaltantes arrombaram um caixa eletrônico do Banco do Brasil e retiraram duas gavetas com dinheiro. Ainda não se sabe o montante levado.

Bancários vêm fazendo luta histórica por mais segurança


Os bancários viraram alvo fácil dos bandidos. Somente em 2011 já foram constatados 25 ataques a bancos no Ceará. Em âmbito nacional foram 838 ocorrências só no primeiro semestre, contabilizando 537 arrombamentos e 301 assaltos diretos.


Diante dessa chuva de números, a Contraf-CUT e a Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV) têm agido de forma contundente buscando a melhoria da segurança nas unidades. No último dia 26/8, representantes das duas unidades foram recebidos em audiência no Ministério da Justiça e cobraram a atualização da lei federal nº 7.102/83, que trata da segurança nos estabelecimentos bancários. Os trabalhadores apresentaram ainda propostas para a construção de um projeto de lei de Estatuto de Segurança Privada.

COMBATE À “SAIDINHA DE BANCO” – Outro tema bastante debatido pela categoria e discutido com os órgãos competentes é o crescimento do crime da “saidinha de banco”. Os bancários e vigilantes defendem biombos entre a fila de espera e a bateria de caixas, e as divisórias individualizadas nos terminais de autoatendimento. As entidades também propõem a isenção das tarifas de transferência de recursos (TED, DOC, ordens de pagamento), como forma de reduzir a circulação de dinheiro na praça e evitar que clientes sejam alvos de assaltantes.

Sindicato apresenta projeto na Câmara Municipal


O Sindicato dos Bancários do Ceará entregou no dia 17/8, na Câmara Municipal de Fortaleza, o projeto de lei sobre segurança bancária, elaborado pela entidade em parceria com a Contraf-CUT. O projeto foi entregue ao presidente da Câmara, Acrísio Sena, pelo presidente do Sindicato, Carlos Eduardo Bezerra. Participaram ainda da cerimônia de entrega o diretor do SEEB/CE, Clécio Morse e a vereadora Eliana Gomes (PCdoB).


O projeto prevê a obrigatoriedade de instalação de dispositivos de segurança nas agências e postos de serviços, como portas eletrônicas de segurança individualizada em todos os acessos destinados ao público, incluindo o autoatendimento. Os bancários querem ainda que sejam instaladas sistemas de monitoração e gravação eletrônicas de imagens, em tempo real; que se tornem obrigatórias as instalações de divisórias opacas com 2m de altura entre os caixas, inclusive os eletrônicos.