Os 100 dias de Dilma Rousseff

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O balanço do início do governo da presidente Dilma Rousseff – os famosos 100 dias – é altamente favorável. Ela tem um nível de aprovação popular de 56%, maior do que a marca favorável do início do primeiro mandato de Lula, em 2003 (51%) e ultrapassando de longe a de Fernando Henrique Cardoso em 1995 (41%).


Isto é, governa com vento a favor, mesmo tendo tomado medidas controversas como o anúncio do corte orçamentário de R$ 50 bilhões ou a recusa em negociar com as centrais sindicais o valor do salário mínimo, fixado em R$ 545,00.


Seu governo é assumidamente uma continuação em relação aos dois mandatos de Lula, entre 2003 e 2010. Mas não se trata de um mero continuísmo, como ficou claro neste período inicial.


Para quem acreditava que Dilma não teria voo próprio e seria um decalque de Lula, a decepção é visível. Dilma disse a que veio com um estilo pessoal diferente de seu antecessor e com algumas prioridades que são a marca do continuísmo com mudança.


Há, além disso, uma ação mais afirmativa no sentido de subordinar as megaempresas brasileiras nas quais o governo tenha interesses às necessidades do desenvolvimento do País. O exemplo mais visível foi a mudança da direção da Vale em busca de uma gestão mais afinada com um programa de desenvolvimento do País e não focada apenas no desempenho individual da empresa. A comoção que essa substituição de direção causou entre os representantes do capital financeiro é uma demonstração da mudança de rumos que ela sinaliza – alguns críticos neoliberais, mais exagerados, chegaram a insinuar que houve uma virtual reestatização daquela empresa que se tornou o símbolo das privatizações predatórias e danosas ao interesse nacional praticadas sob Fernando Henrique Cardoso na década de 1990.


A oposição neoliberal ainda não se recuperou do atordoamento sofrido com a derrota eleitoral de 2010. As feridas no PSDB continuam abertas e a unidade desta agremiação continua sendo uma meta distante, enquanto os outros pilares da oposição neoliberal (o DEM e o PPS) estão claramente em declínio. E mesmo a imprensa já não exerce com o mesmo desembaraço a oposição virulenta que fez ao governo Lula.


O marco dos 100 dias não autoriza balanços de governo e muito menos conclusões peremptórias a respeito do destino que a administração pública vai tomar. Mas, no caso de Dilma, permite avaliar o formato da continuidade com mudança anunciada desde a campanha eleitoral. Quem apostou que Dilma teria dificuldades para lidar com a “sombra” de Lula errou; se enganou também quem imaginou que ela poderia colocar tudo de pernas para o ar, rompendo com o que foi feito entre 2003 e 2010 e tomando um rumo mais conservador.


O que se pode concluir, nestes quase três meses e meio de governo, é que de fato este é o terceiro mandato presidencial das forças progressistas, avançadas e desenvolvimentistas. Os dois anteriores tiveram a cara de Lula, este tem a cara de Dilma. Mas o sentido é o mesmo: a busca do crescimento econômico, do bem-estar dos brasileiros e da afirmação soberana da nação.

Portal O Vermelho