Os ganhadores de sempre

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A realidade econômica de qualquer País movido pela dinâmica capitalista é sempre mutável. Os chamados ciclos de acumulação sempre beneficiam determinado setor empresarial conforme seja a opção política. Esta regra elementar parece ser desmentida pela experiência brasileira. Aqui, a cantilena dos lucros exorbitantes dos banqueiros nunca foi interrompida.


Quando há o mínimo de risco para os pobres banqueiros, aparece um governo decidido a ajudá-los. Quem não recorda dos R$ 30 bilhões injetados pelo PROER na banca privada brasileira? Quem não está vendo os 200 bilhões de dólares do FED americano (saindo do público para o privado) na recente crise bancária?


Quando se fala em bancos, os valores são sempre superlativos. Mesmo com este privilégio histórico o sistema financeiro brasileiro não dá uma contrapartida social que se aproxime minimamente de suas reais possibilidades. Nem com a sociedade, em geral – os juros altos e o atendimento seletivo e nem com os trabalhadores bancários – sempre menos para as atividades cada vez mais diversificadas.


A visualização das agências bancárias (equipamentos e funcionários) esconde o verdadeiro retrato das condições do trabalho bancário. Neste ambiente, o número de empregados é sempre pequeno para a demanda de serviços crescente; neste ambiente, cresce (mas não aparece) o stress e doenças congêneres como a LER.


Estes fatos – realidade dos bancos e vida de bancário – precisam ser cada vez mais retratados aos olhos do grande público. Para que esta luta – inadiável – ganhe novos aliados. Assim, interessa à sociedade como um todo a geração de novos postos de trabalho, melhor atendimento em condições boas para o bancário e o usuário.


No ano passado, Itaú e Bradesco obtiveram lucro líquido de R$ 8 bilhões e 500 milhões e R$ 8 bilhões e 100 milhões, respectivamente. No primeiro trimestre deste ano o Itaú obteve R$ 2,04 bilhões e o Bradesco R$ 2,1 também de lucro líquido.


Os dados de lucratividade do primeiro trimestre deste ano, do ano de 2007 e de mais de uma década passada demonstram a necessidade de uma ação sindical mais agressiva. Os bancos podem e devem gerar mais e melhores empregos e, podem, reduzindo seus juros, contribuir para o financiamento do desenvolvimento nacional.


No momento em que a CUT e demais centrais sindicais lutam pela redução da jornada de trabalho sem redução dos salários devemos concentrar a pressão nos bancos como alvo privilegiado. Para cumprir efetivamente o grande compromisso do presidente Lula firmado deste 2002 – “desenvolvimento, tendo como eixo a questão social” – é preciso enfrentar a banca privada obrigando-a a ter uma nova relação com a sociedade: gerando mais empregos (contratação de mais bancários) e contribuindo para a verdadeira atividade produtiva com um novo padrão de financiamento garantidor de um processo de desenvolvimento sustentável em nosso País.