Os Interesses Nacionais (Conclusão)

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Numa semana em que o dia das mães foi manchado de muito sangue no Estado de São Paulo e a revista Veja se desequilibra na sua escalada mentirosa (tentando atingir pessoalmente o Presidente Lula), pouco de esclarecimento se propiciou à sociedade para se compreender o momento histórico da relação entre o Brasil e a Bolívia.

Do episódio do decreto do Presidente Evo Morales, pinçamos alguns elementos elucidativos. Primeiro: os contratos e os investimentos na Bolívia que colocaram o Brasil refém do gás boliviano foram realizados por FHC. Segundo: o decreto boliviano prevê um prazo de 180 dias para os entendimentos entre as empresas que possuem refinarias e o Governo sobre o processo e as condições em que se dará a nacionalização, incluindo o valor das indenizações pertinentes. O que vale são os termos formais do contrato e não a retórica política de quem quer que seja. Terceiro: a Bolívia não pode aumentar o preço do gás unilateralmente. Para aumentar o preço este país teria que recorrer à arbitragem internacional (o foro, definido no contrato, é Nova York). Quarto: não há hipótese de interrupção do fornecimento do gás boliviano ao Brasil, conforme tem declarado insistentemente Evo Morales; além do que a interrupção levaria o caos àquele país já que a venda do gás lhe rende US$ 800 milhões/ano – o que correspondente a 1/3 de toda a arrecadação do país.

A tentativa de lideranças do PSDB e do PFL e de alguns integrantes da mídia em estabelecer o pensamento de que existe uma crise de grandes proporções e de levar o Governo Federal a “endurecer o discurso”, a fazer ameaças e tomar providências radicais preventivas se dá por conta das eleições. Eles sabem que isso deixaria Lula numa situação de fragilidade. Eles mesmos, diriam, em seguida, que Lula não foi estadista, que lhe teria faltado experiência e que agira como um sindicalista ou um guerrilheiro. Nós todos devemos divulgar estas informações para desmascarar os nacionalistas de ocasião, – os oportunistas de sempre – e, na verdade, os velhos entreguistas. Os procedimentos do Governo brasileiro e da Petrobrás – diante de uma situação complexa – estão objetivando preservar nossos investimentos e interesses que são econômicos, sociais e políticos e que, na maior proporcionalidade possível, devem ser harmonizados com os da Bolívia.