Os sindicatos, os governos e os partidos

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Os sindicatos, na forma como os conhecemos hoje, nasceram com a Revolução Industrial. Podemos afirmar seguramente serem eles instrumentos permanentes de luta dos trabalhadores. Pelo menos são assim os sindicatos combativos abrigados na Central Única dos Trabalhadores (CUT).

No Brasil, como sabemos, o sindicalismo experimentou fases diversas. Poderíamos destacar – grosso modo – o período anarquista do início do século passado, o período cognominado de “era Vargas”, o período da ditadura militar e o da redemocratização até os nossos dias.

Nos anos 60, a sociedade brasileira experimentou intensa mobilização e politização. Os sindicatos se inseriram neste contexto e, embora não possuíssem enraizamentos profundos de organização de base, eram capazes de grandes mobilizações. A ditadura militar reprimiu e deseducou. Esta herança será profundamente trabalhada na estratégia política dos trabalhadores manifestada na criação da CUT, em 1983. Ali se fundaram os pilares do que seria conhecido como novo sindicalismo.

Este novo sindicalismo se caracterizaria por uma série de princípios a nortear a ação sindical: ações de massa, fortalecimento das organizações por locais de trabalho, combatividade, investimento na formação política, independência frente ao Estado, aos governos e aos patrões e autonomia frente aos partidos políticos.

Estes princípios todos a CUT os reafirma. Pela conjuntura vivida no Ceará, em especial, eles se tornam um desafio a ser testado na prática. A Prefeitura de Fortaleza e o Governo do Ceará são geridos por partidos de esquerda, respectivamente, o PT e o PSB. A presença destes partidos e de outros como o PC do B nas administrações não inibirão a ação normal dos sindicatos, que sem deixarem de fazer as leituras conjunturais adequadas, muito menos deixarão de fazer as pressões no momento correto.

E dentro deste contexto apoiamos as iniciativas em torno da elevação do salário mínimo, da correção da tabela do imposto de renda, da taxação da grandes fortunas no plano federal. E aqui, no Ceará, que se abra um novo ciclo de desenvolvimento e não um mero desdobramento do “mudancismo”, além de imediatamente apoiarmos as pressões da CUT no sentido da imediata regularidade do pagamento dos servidores públicos.

Enfim, o movimento sindical é uma frente de todos os trabalhadores independentemente de filiação partidária. Assim nenhuma amarra deve frear as lutas que deveremos fazer e faremos diante dos patrões e dos comportamentos dos governos e partidos.

Em conjuntura política recente, o movimento sindical se posicionou contra o retorno da direita representada eleitoralmente pelo PSDB/PFL. Agora é hora de avançar. Para além do que foi o 1º mandato do presidente Lula. Uma nova política econômica que conclua a transição do “rentismo” para a “produção” é a condição primeira. Diminuir os juros, aumentar os empregos e, assim, combater a violência em suas causas e efeitos. O Sindicato marchará coerente com estes princípios diante do Governo Lula, do Governo Estadual (Cid) e da Prefeitura de Fortaleza (Luizianne), pois assim ajudará a eles mesmos a avançar naquilo que deve ser a vocação da esquerda: transformar a sociedade.