Pandemia assusta população brasileira

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A cada dia o número de infectados aumenta e vários morrem no País. O vírus Influenza A (H1N1), causador da gripe suína, se prolifera com uma rapidez assustadora e está mudando os hábitos de muitos brasileiros. Qualquer atividade que traga algum risco de contrair a doença é evitada. Viagens estão sendo canceladas, a volta às aulas foi adiada em muitas escolas e, até nos estádios de futebol, máscaras são distribuídas por ordem da justiça. É impossível ignorar a pandemia e os danos que ela está trazendo à população.


No Ceará, 49 casos da gripe suína foram confirmados até o dia 4/7, sendo 45 em Fortaleza e 4 em Quixadá. Nenhuma morte foi registrada. Segundo o médico Manoel Fonseca, presidente do Comitê Estadual de Prevenção e Controle do Vírus Influenza A, todos os infectados no Estado contraíram o vírus em outras localidades, em especial os estados do Sul e Sudeste, ou mesmo em outros países, principalmente, nos Estados Unidos e Argentina. “Não tem nenhum caso de contágio entre pessoas do Ceará”, ressalta Fonseca.


De acordo com o médico, a Secretaria de Saúde (Sesa) vem treinando profissionais em todo o Estado para o diagnóstico e tratamento do Influenza A. “Recentemente realizamos cursos em Quixadá e Sobral. Já treinamos também profissionais que trabalham nos portos e aeroportos do Ceará”, destaca. Manoel Fonseca afirmou também que a Sesa está investindo alto na disseminação de informação, através da distribuição de folders explicativos e da intensa realização de entrevistas com a mesma finalidade. Ele ressaltou ainda que as pessoas que estiverem com sintomas da doença devem procurar os postos de saúde e, em casos extremos, os Hospitais Albert Sabin e São José.


A diretora técnica do Hospital São José, Marli Bezerra, confirmou que toda a rede de saúde do Estado está preparada para tratar casos da gripe suína, mesmo porque os sintomas da doença em seu início são semelhantes aos das outras gripes. Segundo ela, pessoas com febre muito alta, tosse constante e dor torácica devem imediatamente se dirigir aos postos de saúde para a realização de exames, os quais demoram cerca de cinco dias para terem o resultado divulgado, já que são feitos em Belém (PA). “Pacientes inclusos no grupo de risco, ou seja, idosos, gestantes, diabéticos, pessoas com problemas pulmonares crônicos ou portadores do vírus HIV, têm que ficar bastante atentos com o Influenza A”, acrescentou.


Marli Bezerra disse que poucos casos de gripe suína foram tratados até agora no Hospital São José, mas que todos os pacientes se recuperaram com sucesso. “Atendemos cerca de quatro pessoas. Elas foram tratadas basicamente a base de Tamiflu e com acompanhamento mais de perto da equipe médica da unidade. O tempo de recuperação variou de dois a cinco dias”. Para a médica, os poucos casos, até agora, de gripe suína no Estado são frutos do clima quente da região.

ESCOLAS SE PREVINEM – Na volta às aulas, as principais instituições educacionais de Fortaleza estão modificando os hábitos dos alunos para evitar a proliferação do vírus da gripe suína. No colégio 7 de Setembro, por exemplo, os pais foram alertados pela diretoria da escola para não levarem seus filhos a aula caso eles estejam com sintomas de qualquer gripe. “Nós também reforçamos a limpeza de todos os ambientes, principalmente dos bebedouros”, revelou o diretor Ednilton Soares. Além disso, o contato físico entre os estudantes está sendo evitado, e as janelas das salas de aula estão sendo abertas durante os intervalos para um maior arejamento.


Já o colégio Ari de Sá vem seguindo à risca as orientações dos órgãos de saúde do País. Os alunos que viajaram para regiões de risco a menos de três dias do início das aulas foram alertados para ficarem em casa até que o período de incubação da doença passasse. Segundo a supervisora pedagógica da escola, Regina Gadelha, o álcool em gel está sendo utilizado em todas as salas, as toalhas de tecido foram substituídas pelas toalhas de papel e os brinquedos didáticos estão passando por uma limpeza mais efetiva. “Nós procuramos também trabalhar a temática com os alunos nas primeiras aulas para uma maior conscientização deles”, completou.

Saiba mais sobre a gripe suína

QUAIS SÃO OS SINTOMAS?
Os sintomas são muito similares aos de uma gripe comum ou mesmo aos da dengue. O paciente com gripe suína tem febre acima de 39ºC, falta de apetite, dores musculares e tosse. Algumas pessoas com a gripe suína também relataram ter apresentado catarro, dor de garganta, náusea, vômito e diarréia forte.

COMO A GRIPE É TRANSMITIDA?

A contaminação está ocorrendo da mesma forma que a gripe comum: por via aérea, de pessoa para pessoa, por meio de espirros e tosse. As pessoas podem transmitir o vírus antes mesmo de sentir os sintomas e depois de já terem melhorado. Os vírus da gripe também sobrevivem por dias ou até mesmo semanas em superfícies secas. Evidências apontam que as pessoas podem se contaminar ao encostar em superfícies contaminadas —como teclados e maçanetas— e depois tocar nariz, olhos ou boca.

O QUE FAZER PARA SE PREVENIR?

Lave as mãos com água e sabão (depois de tossir ou espirrar; depois de usar o banheiro, antes de comer, antes de tocar os olhos, boca e nariz); evite tocar os olhos, nariz ou boca após contato com superfícies; use lenço de papel descartável; proteja com lenços a boca e nariz ao tossir ou espirrar, evite aglomerações e ambientes fechados (deve-se manter os ambientes ventilados); é importante que o ambiente doméstico seja arejado e receba a luz solar, pois estas medidas ajudam a eliminar os possíveis agentes das infecções respiratórias.