Paralisadas as agências do Centro de Fortaleza

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Na manhã da terça-feira, 19/4, o Sindicato dos Bancários do Ceará (SEEB/CE) realizou mais uma manifestação de repúdio à prática de demissões do banco Itaú. Dessa vez, houve paralisação parcial – até meio dia – das agências do Centro de Fortaleza como forma de sinalizar a indignação da categoria. O protesto faz parte de um ato nacional contra a política de demissões adotada pelo banco. Somente no ano de 2010 foram mais de mil funcionários demitidos e nos últimos três meses foram cerca de 500, em todo Brasil.


Em frente à agência da Rua Major Facundo, diretores do SEEB/CE compartilharam com clientes e transeuntes a insatisfação da categoria com o que Ribamar Pacheco, diretor do Sindicato e funcionário do Itaú, nomeou de “prática gananciosa”. “O Sindicato está cumprindo o prometido. Voltaríamos a protestar e paralisaríamos caso as demissões persistissem”, lembrou o diretor, alertando que se a situação não for resolvida a paralisação será total.


O Itaú foi o banco privado do Brasil que mais lucrou em 2010, o que reforça a ilegitimidade das demissões, principalmente porque os bancários são os grandes responsáveis pelos resultados obtidos. “O banco demite quando na verdade precisa de mais funcionários para prestar atendimento de qualidade aos clientes”, afirmou Ribamar Pacheco, diretor do Sindicato dos Bancários.


Na ocasião do protesto, também foram reclamadas soluções para outras questões, como a cobrança abusiva de metas e a prática criminosa do assédio moral, além da sobrecarga de trabalho, que tem levado muitos funcionários a serem acometidos de doenças físicas e psicológicas. “Esse, infelizmente, não é um problema apenas dos funcionários do Itaú, mas de todos os trabalhadores que laboram no sistema financeiro brasileiro”, disse Ribamar. O aumento de quase 25% no reajuste do plano de saúde também foi motivo de protesto.


O Dia Nacional de Mobilização teve a participação de todos os sindicatos que têm Itaú na base e o efeito da pressão foi imediato: uma nova negociação está marcada entre a COE Itaú e o banco no dia 27/4, em São Paulo.

Movimento sindical luta em defesa do emprego desde o anúncio da fusão


O banco Itaú anunciou a fusão com o Unibanco no dia 3/11/2008, causando alvoroço no mercado financeiro e gerando preocupação entre os trabalhadores das duas empresas.


Procurando tranquilizar os funcionários, a Contraf-CUT procurou de imediato a direção dos dois bancos para tratar da questão dos empregos e direitos.


A primeira negociação para tratar do processo de fusão foi realizada no dia 6/11/2008, em São Paulo. Na ocasião, a representação dos trabalhadores cobrou dos presidentes, na época, do Itaú e do Unibanco, respectivamente Roberto Setúbal e Pedro Moreira Salles, que assumissem compromisso acordado por escrito ratificando o que os mesmos afirmassem em rede nacional, que não haveria fechamento de agências nem demissões de bancários em decorrência da fusão dos bancos. Entretanto, em outra reunião realizada dia 10/11/08, os negociadores dos dois bancos reafirmaram o compromisso de que não haveria demissões, mas se negaram a assinar um documento levado pela Contraf-CUT com as garantias. À época, os diretores das duas empresas afirmaram que a nova instituição financeira pretendia crescer ainda mais, inclusive em nível internacional, e contrataria mais bancários, mas mesmo assim se recusaram a assumir o compromisso por escrito.


Uma nova rodada de negociação foi realizada dia 9/12/08, quando novamente a Contraf-CUT insistiu na discussão da garantia do emprego. Porém, os dois bancos continuaram se recusando a colocar no papel o compromisso público que assumiram seus presidentes de que não haveria demissões ou fechamento de agências.

COMEÇAM AS DEMISSÕES – Um dia depois de o Banco Central aprovar a união dos bancos Itaú e Unibanco, funcionários receberam um telefonema gravado pelo presidente do banco, Roberto Setúbal. Na mensagem, ele comunicava que a fusão estava começando e conclamava todos a colaborar. Na sede do Unibanco, balões azuis e laranja, as cores do Itaú, foram colocados em todos os andares para comemorar a união com o antigo rival. O que a mensagem otimista e os balões festivos não deixavam transparecer é que também tinha início o processo de ajustes na estrutura de funcionários do novo banco. Decisões já estavam tomadas, mas a execução aguardava o aval do BC para a transação. Os cortes começaram por áreas onde os salários são mais altos e a sobreposição de equipes, maior: as corretoras de valores e os bancos de investimento e atacado. Nessas áreas, houve uma clara predominância das equipes originárias do Itaú BBA, em detrimento do Unibanco.

DEFESA DO EMPREGO – No dia 25/3/09, ocorreu mais uma reunião da Comissão de Organização dos Empregados do Itaú-Unibanco (COE Itaú-Unibanco), na sede da Contraf/CUT. O principal tema discutido pelos sindicalistas foi a questão da garantia dos empregos e direitos dos trabalhadores. A questão do emprego foi tema também de outra negociação com o Itaú-Unibanco, que ocorreu no dia 7/4/09. O banco apresentou o modelo do Centro de Realocação de funcionários, reivindicação apresentada pelo movimento sindical.


Questionando as demissões, a Comissão de Empresa dos Funcionários do Itaú havia marcado negociação com o banco no último dia 14/4, entretanto os representantes da empresa adiaram a rodada, sem justificativa plausível. “Como se não bastasse a quebra da palavra empenhada, a dispensa de trabalhadores acontece depois que a instituição atingiu em 2010 o lucro recorde de R$ 13,3 bilhões, o maior da história dos bancos brasileiros”, afirma o funcionário do Itaú e presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro.