Pesquisa do Ipea sobre tolerância à violência é tema de debate

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O Coletivo de Mulheres Bancárias do Sindicato dos Bancários do Ceará realizou na sexta-feira, 11/4, um debate sobre a pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que aborda a “Tolerância social à violência contra as mulheres”. O expositor foi o coordenador da PED, do Dieese/CE, Ediran Teixeira, que fez uma análise geral sobre o significado das questões apontadas na pesquisa. O resultado gerou protestos em rede sociais e repercutiu na grande imprensa.


De acordo com a pesquisa, constatou-se que 65,1% concordam total ou parcialmente que mulheres que são agredidas pelos parceiros, mas continuam com eles, “gostam de apanhar”. Por outro lado, 26% dos entrevistados concordam, total ou parcialmente, com a afirmação de que mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas.


Para Ediran Teixeira, a pesquisa do Ipea é um retrato fiel do posicionamento, ainda muito patriarcal, da sociedade e que, apesar dos avanços conquistados pelo movimento de mulheres ao longo do tempo, a marginalização da mulher ainda persiste. “Não é só no aspecto social, no casamento, mas até a sua inserção da mulher no mercado de trabalho ainda é difícil, pela questão do preconceito mesmo”, relata. Segundo ele, é preciso mudar a forma de pensar da sociedade, e essa mudança deve começar dentro dos lares, pela própria mulher. “Nós fomos colonizados por europeus que reproduziam uma sociedade extremamente patriarcal e machista e, infelizmente, isso ainda se reflete nos seios das famílias brasileiras. Cabe a mulher mudar essa mentalidade, mostrar aos seus filhos que não é essa a sociedade que ela quer. A mulher tem de parar de reproduzir os costumes machistas. Redimensionar os conceitos de família, os conceitos sociais, e a partir disso se inserir na sociedade com mais intensidade de forma a fazer prevalecer os seus direitos”, finaliza.


“Na sociedade atual, a violência é a faceta mais cruel das desigualdades entre homens e mulheres e ela acontece todas as vezes que nós somos desqualificadas, agredidas, associadas a objetos de posse. Durante muito tempo, a violência foi considerada um problema de família. Mas nós estamos nas ruas, nos sindicatos, para dizer que a violência contra as mulheres é um assunto público e político e deve ser amplamente debatido”, afirma a diretora do Sindicato e representante do Coletivo, Carmem Grego.


A diretora do Sindicato, Iêda Marques, completa: “não podemos tolerar a violência contra as mulheres e tampouco o discurso que atribui às próprias mulheres a culpa pela violência que sofrem. Estamos na luta para reafirmar que somos mulheres livres e trabalhadoras e que nada justifica a violência contra a mulher”.


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“Não podemos perder a capacidade de nos indignarmos diante de qualquer tipo de violência contra a mulher. Mas, acima de tudo, temos que combater essa cultura, que infelizmente ainda existe, de posse de um ser sobre outro. As mulheres não são propriedades. O que nós queremos e lutamos por isso é que homens e mulheres tenham direitos e oportunidades iguais em todas as instâncias”
Rita Ferreira, diretora do Sindicato e integrante do Coletivo de Mulheres Bancárias