Pesquisa revela que a luta das mulheres por igualdade persiste

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A situação de desigualdade ainda persiste no campo econômico para as mulheres, como confirma uma pesquisa da Fundação Seade e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgada na quarta-feira, dia 2/3. Se por um lado a presença da mulher no mercado de trabalho ao longo dos anos (2002-2008) cresceu 40,9%, chegando a 43,7% da PEA (PNAD/2008), por outro, as diferenças de tratamento e de oportunidades não sofreram alteração do ponto de vista da sua superação. As mulheres ainda são as principais atingidas pelo desemprego em momentos de crise e ainda são maioria no trabalho em condições precárias – 42,1% das mulheres e 26,2% dos homens, conforme o Ipea.


As brasileiras e especialmente as bancárias chegaram ao 8 de Março – Dia Internacional da Mulher, com muito a comemorar em 2011, mas também com a clareza de um longo caminho para percorrer rumo à igualdade de gênero na vida, no trabalho e no movimento sindical.


Na cena política, não há símbolo maior dos avanços do que a eleição de Dilma Rousseff para o cargo máximo do País. A vitória é ainda mais expressiva num país em que o direito de voto só foi conquistado pelas mulheres em 1934. Por outro lado, no Congresso Nacional, a desigualdade continua flagrante: nas últimas eleições, 45 deputadas e 12 senadoras foram eleitas de um total de 513 deputados e 81 senadores.

HISTÓRIA DAS MULHERES NO SISTEMA FINANCEIRO – Até 1968, quando o então Banespa aceitou pela primeira vez o acesso de mulheres ao cargo de auxiliar de escritório, o sistema financeiro era um território exclusivamente masculino. Hoje, elas são quase a metade da categoria, como mostra a Pesquisa de Emprego Bancário feita pela Contraf-CUT e pelo Dieese.


No entanto, embora tenham maior escolaridade que os homens, as mulheres enfrentam forte resistência para a ascensão profissional nos bancos e ganham, na média, 24% a menos que os homens. As bancárias já são discriminadas na porta de entrada: são contratadas com salários 36,5% inferiores aos dos colegas do sexo masculino.


Sobretudo na última década e meia, as bancárias alcançaram importantes conquistas. Quando a então CNB/CUT incluiu pela primeira vez na pauta de reivindicações o tema Igualdade de Oportunidades, em 1996, os bancos negavam enfaticamente a existência de discriminação e preconceito nas empresas. Hoje temos uma mesa temática sobre o assunto em funcionamento, em busca da formulação de políticas que ponham fim às discriminações. Em 2009, as bancárias foram a primeira categoria a conquistar a licença-maternidade de 180 dias.


“Mas a luta não acaba enquanto não conquistarmos uma verdadeira igualdade entre os gêneros”, afirma Deise Recoaro, secretária de Políticas Sociais da Contraf-CUT. “Com força e mobilização de todas e todos, vamos brigar pelo fim das discriminações que limitam os salários e a ascensão profissional das mulheres e por uma mudança cultural que fortaleça a noção de relações compartilhadas entre homens e mulheres, na criação dos filhos e cuidados com a casa. Ainda temos um longo caminho pela frente, mas chegaremos lá”, defende.