Podemos ter mulheres em qualquer lugar

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A Tribuna Bancária entrevistou a presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira. Após 89 anos de história, é a primeira vez que o SEEB/SP é presidido por uma mulher.


Juvandia ingressou no Bradesco há 20 anos e faz parte da diretoria do Sindicato de São Paulo desde 1997, assumindo sua presidência em maio de 2010, quando o então presidente Luiz Cláudio Marcolino licenciou-se para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo. Em junho de 2011, ela foi eleita presidente do SEEB/SP com 83,49% dos votos válidos.


Nessa entrevista, Juvandia fala da sua experiência como sindicalista e de algumas das demandas da categoria bancária para 2012. Confira:

Você é uma das poucas mulheres à frente de sindicatos dos bancários e logo o maior do País, que é o Sindicato de São Paulo, como você vê isso?

Eu acho que assumir o Sindicato de São Paulo foi um marco para as mulheres do movimento sindical. A classe trabalhadora é formada por homens e mulheres e o movimento sindical não é só coisa de homem, é de homens e mulheres, e tem que ser o reflexo da classe trabalhadora. Temos homens e mulheres trabalhando, tentando construir esse País e é assim que tem de ser nos sindicatos também. Temos toda uma luta histórica para desconstruir conceitos, mudar, acabar com essas discriminações, de diferenças de gêneros, de raças, de orientação sexual, fatos que infelizmente ainda existem. As mulheres lutaram para ter direito a voto, depois para entrar no mercado de trabalho, lutaram para ter direito a escolher seus maridos, ou seja, foi um conjunto de lutas importantes e ainda continuam lutando por igualdade salarial e ter mulheres no movimento sindical é um pouco reflexo de todas essas lutas. Foi importante elegermos uma mulher para a presidência da República, também é um sinal importante nessa luta, pois mostramos que podemos ter mulher em qualquer lugar. A mulher tem que ser respeitada, tem que haver espaço para todos e se queremos construir uma sociedade justa e igualitária temos de acabar com essas desigualdades de gênero, de raça e do que for.

O que você destaca para a luta dos bancários em 2012?

A principal pauta, que ficou pendente na campanha salarial passada e que tem se agravado a cada ano, é relativa às condições de trabalho. Isso acarreta inúmeros problemas de saúde e o adoecimento dentro da categoria é grande, tudo relacionado a pressão excessiva que sofrem os trabalhadores, independente de pertencerem a banco público ou privado. São metas excessivas, causando doenças como depressão, síndrome do pânico, stress – as chamadas doenças mentais hoje são uma triste realidade dentro da categoria – além das tradicionais lesões por esforços repetitivos. Temos também que continuar a luta pela valorização do piso da categoria porque o salário tem muito mais reflexo na vida profissional. O respeito à jornada de trabalho também é uma luta importante, além de aumentar a participação nos lucros, porque os lucros dos bancos são sempre maiores ano a ano, sempre estratosféricos e os trabalhadores só vêem aumentada a pressão do dia a dia. Essas lutas devem ser pautas não só durante a campanha salarial em setembro/outubro, mas também já nas discussões das mesas temáticas.

Qual a atuação do movimento sindical bancário para tentar solucionar a questão da insegurança?

Um grande problema que estamos enfrentando agora é a retirada das portas de segurança. O Itaú está mudando o layout das agências e todas elas devem ficar sem as portas giratórias, pelo menos essa é a pretensão do banco. O Bradesco não anunciou oficialmente, mas também vem retirando as portas em todo o Brasil. O Banco do Brasil já fez essa tentativa, só não foi em frente porque o movimento sindical combateu e o banco recuou, mas se essa tendência continuar, é provável que volte a retirar. E o que é pior, nós vemos que esse movimento só está acontecendo porque os bancos querem reduzir seus custos. E na hora do assalto, as quadrilhas vão procurar, claro, as agências mais fáceis, com menos obstáculos. Esse é um item que retarda a ação dos bandidos. A Contraf-CUT já vem se organizando na Comissão de Segurança, tentando inserir essa pauta nas negociações com a Fenaban – a nossa reivindicação é que tenha portas em todas as agências e que se faça uma campanha de esclarecimento com os clientes para que se compreenda a importância da porta giratória, porque apesar de eventuais contratempos é muito mais importante preservar a vida. É preciso ainda que essas portas tenham uma boa manutenção para que não fiquem desreguladas, além do reconhecimento e valorização salarial dos vigilantes. Além disso, estamos vendo um movimento grande nos estados de sindicatos procurando as Câmaras Municipais e Casas Legislativas tentando aprovar projetos que coloquem mais segurança nas agências, o Ceará é um deles, e nacionalmente, estamos pressionando o Congresso Nacional para modificar a lei 7.102/83, que trata da segurança bancária, para tornar a porta giratória um item obrigatório. Em pesquisa divulgada pela Contraf-CUT vimos que 49 pessoas morreram em ataques a bancos e é preciso proteger a vida dessas pessoas.