Por que fazer a campanha do Lula?

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Por decisão de ampla maioria dos bancários reunidos na 8ª Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, foi tirado o voto na reeleição de Lula. Lembramos que essa é a disposição da categoria bancária, que acredita na força democrática, que a continuidade de seu governo proporcionaria ao País. Ainda há questionamentos, se vale a pena votar e fazer campanha para Lula. É óbvio que sim! Ao contrário daqueles que advogam o voto nulo ou o sufrágio em outra candidatura de esquerda – valorosa, mas com diminutas chances de vitória – é através de um novo governo Lula que pode se abrir uma nova conjuntura de enfrentamento com o sistema financeiro e as classes dominantes no País.

A reeleição de Lula, para ser viável neste momento, não pode ser fruto apenas da vontade de abnegados militantes. Necessita, para se viabilizar, ser produto de um sólido movimento de massas. A candidatura Lula representa o acúmulo possível que as forças democráticas e progressistas deste País lograram construir ao longo das últimas duas décadas. O que deve balizar nossa análise não é a disputa de rumos da campanha, mas a continuidade do governo que dela se originará.

Novo Governo Lula – Um novo governo Lula poderá se transformar num aliado dos trabalhadores, se houver mobilização e disputa na sociedade. Será um governo que ainda terá um razoável grau de disputa na sociedade, ao contrário das outras candidaturas, apoiadas pela direita, como Alckmin e Heloísa Helena. Um novo governo não terá espaço para meios-termos: ou enfrenta a crise sob o ponto de vista dos trabalhadores e do povo, ou busca se adequar à incontrolável e destrutiva lógica dos mercados. É necessário trabalhar pela vitória do PT com um olho na errática política dos moderados da legenda e com os dois pés solidamente fincados nas lutas populares e na dinâmica da luta de classes. Os exemplos das lutas populares nos últimos meses em boa parte da América Latina – Argentina, Bolívia, Peru, Venezuela etc. – nos indicam que o próximo período pode ser surpreendente também no Brasil.

Mais do que o consistente programa de governo da candidatura presidencial, são estes os fatores que contam. Isto não quer dizer que o jogo será o mesmo, qualquer que seja o governo eleito. Por ser uma construção coletiva – por mais que os dirigentes moderados queiram negá-lo – a candidatura do PT é caudatária do vigoroso movimento de massas que entrou na cena política do País desde a segunda metade dos anos 70.

Um novo governo do PT será um governo em disputa entre os diversos compromissos assumidos por Lula, especialmente diante das lutas populares da sua primeira gestão. Nada é estático, tudo é o vir a ser. A tarefa agora é colocar a política no posto de comando e, juntamente com as inúmeras e diversas forças sociais em movimento, entrar firme nesta disputa.