Pressão dos bancos por lucros prejudicam consumidores e bancários

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Muita gente já encontrou no extrato bancário o débito relativo a um serviço que não contratou. A cobrança por um novo pacote de produtos pelo qual jamais procurou, ou um cartão plus que sequer pensou em pedir. Além do desconto indevido em conta corrente, há a chateação de ficar um tempão pendurado no serviço de atendimento telefônico sem garantia da solução do problema. Em muitos casos, acaba indo pessoalmente à agência, onde vai perder mais um tempo na fila enorme.


Pouca gente sabe, mas todo esse aborrecimento significa que o cliente – assim como o bancário – está pagando o “pato” pelas pressões impostas pelos banqueiros e seus executivos para aumentar ainda mais seus lucros.


Essas pressões e o controle sobre o trabalhador são algumas das ferramentas de um modelo de gestão baseado na redução de custos, inclusive de recursos humanos, no qual a terceirização tem fundamental importância. Os bancários muitas vezes são obrigados a comprar eles próprios produtos de que não necessitam. Ou recorrem à solidariedade de familiares e amigos, que compram também para que a meta seja atingida.


Adoecimento do bancário – Sob tanto controle, pressão e metas, o bancário paga com a saúde, fragilizada por um ambiente nocivo, altamente competitivo e que leva ao adoecimento, especialmente psíquico. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2015 os casos de depressão superaram os de lesões por esforço repetitivo (LER). Isso quando não é demitido por não atingir as metas cada vez mais abusivas.


A professora e pesquisadora da Faculdade 28 de Agosto, Ana Tercia Sanches, autora do livro “Trabalho Bancário – Inovações Tecnológicas, Intensificação e Gestão por Resultados”, analisou as mudanças na gestão dos bancos a partir de 1990, feitas para elevar os lucros, e chegou à conclusão de que, para aumentar a já alta lucratividade, os bancos passaram a intensificar a pressão por resultados. Outra perversidade da lógica dos patrões é incorporar a pressão como elemento banal da rotina do bancário, exigindo dos candidatos a uma vaga “resistência a pressões”.