PRIVATIZAÇÃO AMEAÇA CAIXA E BANCO DO BRASIL

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Embora o presidente eleito, Jair Bolsonaro, tenha afirmado, ainda durante a campanha, em outubro, que não pretende privatizar o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal (CEF), os sinais apontam para o sentido oposto. Primeiro, porque analistas e o mercado dão como certo que sua política deve seguir a linha adotada de Michel Temer, mas de forma mais radical. Em segundo lugar, porque alguns “auxiliares” de Bolsonaro, a começar por seu ministro da Economia, Paulo Guedes, já declararam ser a favor de privatizar “todas” as estatais.


Se esse desejo é fantasioso, ele pelo menos indica a intenção de desestatização geral. O nome indicado para assumir a presidência da Caixa Econômica Federal é o de Pedro Guimarães, sócio do banco de investimento Brasil Plural e especialista em processos de privatizações. Assessorou, por exemplo, a privatização do Banespa, antigo banco estadual do estado de São Paulo. Guimarães é doutor em economia pela Universidade de Rochester, nos Estados Unidos. Na sua tese, discutiu o processo de privatização no Brasil. Já no Banco do Brasil, o nome indicado é o de Rubem Novaes, que defende as privatizações e, à frente do BB, deve promover a venda do braço de investimento da instituição, seguindo a diretriz definida por Paulo Guedes de retirar os bancos públicos de todos os negócios que não forem relacionados a políticas públicas.


Maria Rita Serrano, representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Caixa, acredita que Bolsonaro vai agravar o que Temer já começou. “O processo de privatização está dado. Naquilo que não for privatizado, haverá um desmantelamento da empresa pública e diminuição de seu papel. Na Caixa isso já acontece. Ela perdeu 15 mil trabalhadores de 2014 para cá. O BB também vem perdendo”.


PAPEL SOCIAL – A situação do país, caso os bancos públicos sejam privatizados, ficará difícil. Quem investiu no país nos últimos anos foram os bancos públicos e as empresas públicas de modo geral. Ao privatizá-los, vai-se favorecer o capital internacional, como vem sendo feito no caso da privatização das subsidiárias da Petrobras e Eletrobras. O país volta a ser colônia.


Entretanto, a privatização do “miolo” de ambos os bancos, no momento, parece não ser prioridade, e sim a desestatização de operações e setores lucrativos, como as loterias, o próprio Fundo de Garantia, área de cartões e seguro. Está marcado para o próximo dia 29 o leilão da Loteria Instantânea (Lotex). Poucas pessoas sabem, mas as loterias da Caixa destinam cerca de 40% de sua arrecadação a programas sociais nas áreas de educação, esporte, cultura, saúde e Previdência.