Projeto de reestruturação do BB pode engolir BNB e Basa

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A Secretaria do Tesouro Nacional já anunciou que está estudando a incorporação do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) pelo Banco do Brasil. De acordo com técnicos do Ministério da Fazenda, a cobiça do BB não pára por aí. O Governo já avalia também a absorção do Banco da Amazônia (Basa) e do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) pelo BB, o que aumentaria sua presença na economia das duas regiões.


Maior instituição financeira do País, o Banco do Brasil tem interesse em entrar no processo de incorporação de outros bancos, o que hoje ainda não é permitido por lei.


De acordo com o próprio presidente do Banco, Antônio Lima Neto, “para o BB seria interessante poder adquirir outros bancos”. Sob o argumento de que a legislação proíbe essas incorporações, Lima Neto não quis se pronunciar sobre nenhum banco específico. “Com a aquisição de outros bancos, o BB se fortaleceria e a sociedade e o mercado só teriam a ganhar”, argumenta.


Embora o assunto seja cercado de sigilo, o governo já dá como praticamente certa a transferência do Besc para o BB. De acordo com um técnico da Fazenda, a idéia é “aumentar a musculatura” do banco também com o BNB e o Basa, que se transformariam em braços de fomento do BB. “Não faz muito sentido existirem vários bancos públicos disputando o mercado. Seria melhor concentrar as atividades no BB, que é o mais expressivo deles”, afirmou o técnico.


Para o diretor do Sindicato e coordenador da Comissão Nacional dos Funcionários do BNB (CNFBNB), Tomaz de Aquino, essa medida é a reedição da famigerada nota técnica 020, editada pelo Ministério da Fazenda do Governo FHC e pode sinalizar para uma futura tentativa de privatização do Banco do Brasil, após ter “engolido” os menores. “Os bancários de uma maneira geral precisam ficar atentos para essas manobras que, a principio, são colocadas como opção, mas na verdade têm um objetivo claro: a privatização dos bancos públicos”.