Propaganda do banco ignora realidade e exalta agências imaginárias

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O Itaú Unibanco divulgou no dia 1º/3, anúncio milionário de quatro páginas nos principais jornais do País, potencializando os bons resultados alcançados pelo banco após a fusão, iniciada há dois anos, que teria mostrado que “1 + 1 pode ser bem mais que 2”. Nos textos, o banco exalta sua equipe de funcionários, tratada como “o maior capital da empresa”, e a opção do banco pela sustentabilidade e o respeito aos clientes. São frases que, como é comum na publicidade, ignoram a realidade do dia a dia das agências e deixam de lado as grandes insatisfações dos trabalhadores.


No mundo real, os bancários enfrentam condições precárias de trabalho, falta de segurança e pressão pelo cumprimento de metas abusivas. O resultado são filas, problemas no atendimento aos clientes e, principalmente, aumento nos casos de adoecimento entre os bancários. “É preciso valorizar o funcionário, pois os mesmos são o grande patrimônio do Banco. Já está mais do que na hora de investir e valorizar esse patrimônio”, disse Ribamar Pacheco, diretor do SEEB/CE e representante da Fetec/NE na Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú Unibanco.


Para Ribamar, os bancários sofrem com a sobrecarga de trabalho causada pela carência de funcionários nas agências e departamentos, o que aumenta o stress e as doenças profissionais, além de diminuir a qualidade do atendimento aos clientes. Para piorar, os trabalhadores ainda têm que cumprir as metas absurdas do programa Agir, determinadas pela direção do banco sem qualquer consideração pela realidade financeira da região em que está localizada a agência.


A pressão constante por vendas de produtos também prejudica os clientes, fazendo com que os bancários deixem de ter o papel de conselheiros de investimentos para o de meros vendedores. “Isso vai totalmente contra o programa que o banco diz ter sobre ‘Uso Consciente do Dinheiro’. O modelo organizacional do banco aumenta e muito o stress e os casos de adoecimento de bancários e piora a relação deles com os clientes. Se o banco quer falar de sustentabilidade, precisa modificar essa relação”, defende.


Nas agências reformadas, apresentadas pelo banco como “mais espaçosas, confortáveis e transparentes como a forma do Itaú de se relacionar”, a fantasiosa propaganda da empresa se esqueceu de alguns detalhes. Ainda mais grave é a ausência de portas de segurança no novo modelo de agência.