Proposta de Temer de idade mínima de 65 anos e redução no valor do benefício atinge também milhares de bancários

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A reforma da Previdência vai prejudicar todos os trabalhadores. A proposta de Emenda Constitucional, PEC 287, do governo Temer, prevê aposentadoria somente a partir dos 65 anos para todos e já passou pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. A reforma também aumenta o tempo mínimo de contribuição dos atuais 15 para 25 anos. E se, atualmente, o valor do benefício é calculado pela média das 80% maiores contribuições, com a reforma levará em conta todos os valores, mesmo as contribuições feitas sobre salários mais baixos.


Vai ser impossível – Aposentar com o valor do benefício integral será impossível. A reforma determina que para alcançar esses 100% será necessário contribuir por 49 anos, de forma ininterrupta, ou seja, sem desemprego. Em 2014, por exemplo, cada empregado do país conseguiu fazer em média 9,1 contribuições em 12 meses. Assim, seria necessário esperar por 64,6 anos para alcançar a aposentadoria integral.


Bancários na mira – Dos 504 mil no país, cerca de 204 mil bancários que têm até 50 anos e 186 mil bancárias com até 45 anos serão atingidos em cheio pela proposta de 65 anos de idade e 25 anos de contribuição. Essa será uma das principais bandeiras da categoria em 2017. Não aceitamos essa reforma, nenhum direito a menos.


A Previdência é importante para a economia do país e há muitas formas de torná-la mais forte: o governo tem de repassar sua parte dos impostos, taxar grandes fortunas, acabar com o desvio de recursos, acabar com a sonegação, com privilégios como as aposentadorias especiais dos deputados e não cobrar a fatura apenas do trabalhador.


“O movimento sindical está protestando, mas os trabalhadores têm de fazer sua parte enviando mensagens ao governo e parlamentares e se mantendo informados por meios mais confiáveis do que a grande imprensa, bancada pelos bancos, os maiores interessados nessa reforma porque querem vender previdência privada. Lutaremos até o fim pelo nosso direito à aposentadoria digna para todos”


Carlos Eduardo Bezerra, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará