Quanto mais ouve a CUT, mais o governo acerta

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 Alguns dos principais acertos do governo Lula foram marcados pela capacidade de ouvir o movimento sindical e os movimentos sociais e de absorver propostas que apresentamos antes das tomadas de decisão. Esta é uma marca importante do período, e que reflete uma ligação histórica de um projeto político construído a várias mãos.


Como exemplo de políticas adotadas nos últimos anos em virtude desse diálogo, podemos citar a política de valorização permanente do salário mínimo, a atualização da tabela do imposto de renda, o crédito consignado, o aumento substancial do financiamento para a agricultura familiar, a ratificação da Convenção 151 da OIT, a gradual recomposição do serviço público e de seus quadros concursados, a regulamentação do trabalho aos domingos no comércio, a derrubada da emenda 3 e a inclusão de representantes dos trabalhadores e do setor produtivo em instâncias decisórias como conselhos, o fortalecimento das empresas estatais e das cadeias produtivas do entorno, entre outras medidas importantes que contribuíram, combinadas entre si, para o fortalecimento do mercado interno e para a geração de empregos formais.


Momento simbólico dessa parceria foi nosso comportamento durante o período de reflexos mais agudos da crise financeira internacional sobre o Brasil, entre o quarto trimestre de 2008 e o ano de 2009. A CUT e suas bases lançaram-se firmemente na defesa dos empregos e dos salários, contra propostas oportunistas de corte de salários e suspensão de contratos.


Amparado por essa disposição de luta dos trabalhadores organizados, o governo Lula soube conduzir a economia de forma oposta ao que defendiam os conservadores em geral e a velha mídia, o que se viu foi um País assombrar o mundo com uma trajetória de desenvolvimento econômico e social.


Esse diálogo, consequentemente, reproduz-se durante os períodos eleitorais, em especial nos mais duros embates com uma oposição feroz e raramente preocupada com os grandes e reais temas brasileiros, mas sim embalada pela nostalgia do retrocesso.


A militância da CUT foi às ruas em todo o País para contribuir com as duas eleições de Lula e com a eleição de Dilma, a primeira mulher a presidir o Brasil.


Agora, quando os diferentes atores sociais já disputam os rumos do governo (alguns de forma camuflada, através da mídia, por exemplo), queremos ter participação nos debates que vão dar forma e rumo ao futuro governo.


Há tantos outros exemplos. Quando certos temas vêm à baila, devemos tratá-los para além do emergencial, desenhando-os como políticas estruturantes que apontem sempre para maior democratização do Estado e para um projeto nacional de desenvolvimento econômico e social. Estas são a base da Plataforma da CUT para as Eleições 2010, elaborada com o debate e a participação de milhares de entidades filiadas à nossa Central e amplamente divulgada durante o processo eleitoral.


Pensar esses projetos exige a participação dos trabalhadores. Exige interlocução com os movimentos sociais e o movimento sindical cutista. Outros atores sociais têm espaços formais de diálogo com o governo já consolidados. É preciso consolidar o nosso.

Artur Henrique – presidente nacional da CUT