Quem os bancos preferem

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Por mais que a oposição insista que o governo Lula privilegie os banqueiros, uma olhada nos números das contribuições à campanha presidencial mostra por quem bate o coração deles. Matéria publicada na Folha de São Paulo de 11 de novembro com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral, TSE, revela que, neste ano, os bancos deram oficialmente R$ 1,6 milhão aos tucanos e R$ 606 mil à campanha petista.

Desprezando possíveis contribuições não oficiais, é possível afirmar que o amor do sistema financeiro ao PSDB é pelo menos 2,5 vezes maior que o devotado ao PT. E há motivos. Um deles é que, embora ainda altíssimas, as maiores do mundo, a taxa básica de juro, a Selic, chegou a quase 50% ao ano e hoje está em 13,75%. É bom lembrar que os bancos ganham com a Selic alta porque ficam com o dinheiro dos clientes em conta, sem pagar nada por isso, e compram títulos do governo e ganham muito dinheiro sem nenhum risco.

Os movimentos sociais apoiaram o presidente por acreditar que ele representa o melhor projeto para os trabalhadores e o País, mas não podemos deixar de discutir aspectos importantes que precisam ser mudados no sistema financeiro nacional. E o principal é reformá-lo para que sirva ao país, financiando o desenvolvimento e o crescimento.

Para isso, temos um projeto de regulamentação do sistema financeiro nacional que está no Congresso e é importante que seja votado. Defendemos também a ampliação do horário de atendimento para das 9h às 18h, com a contratação de funcionários para que tenhamos dois turnos de trabalho, além da redução dos juros e um pacto pelo crescimento do País com redistribuição de renda. E nisso defendemos também que o Banco Central seja independente do poder dos banqueiros.

Junto com nossa luta pela valorização do salário mínimo, correção da tabela do imposto de renda, campanhas vitoriosas no primeiro mandato do presidente, e que já esta na rua novamente, queremos que a democratização do sistema financeiro ocorra em benefício do País. Apoiamos o presidente Lula, porque também ele tem a capacidade de fazer um pacto dos setores mais avançados do País em busca do desenvolvimento. Mas mesmo antes da sua posse, já estamos cobrando. Afinal, os trabalhadores e os movimentos sociais sabem que as mudanças só vêm com muita pressão das ruas.

Vagner Freitas – Presidente da Contraf-CUT