Representantes dos bancos não comparecem a audiência na Câmara

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O movimento sindical conseguiu, em mais uma investida dentro do Parlamento brasileiro, envolver o Governo e o Banco Central no processo de incorporação do ABN/Real ao Santander. O que entristece nessa relação é o descaso do Santander e do ABN em não comparecer na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara, indo assim na contramão do que ocorre na Espanha e na Holanda, onde os países por serem signatários da Convenção 158 da OIT, que trata de demissão imotivada, têm o poder de intervir nas relações de entes privados.


O marco regulatório 158 da OIT foi pauta da Marcha dos Trabalhadores em Brasília, na qual as Centrais Sindicais solicitaram em audiência com o presidente Lula o envio da assinatura desse marco ao Congresso Nacional, garantindo, assim, aos trabalhadores o respeito aos seus postos de trabalho. Com isso, os patrões ficam impedidos de demitir em massa desmotivadamente.


No tocante à audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor, o ABN/Santander, em desrespeito aos seus empregados e à sociedade brasileira, mais uma vez não mandou sua representação. No entanto, a atitude do banco não é motivo para baixar a guarda.


“Temos, ainda, a batalha na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) no Senado, além de audiência com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, solicitada pela Contraf e por parlamentares com compromisso com a classe trabalhadora”, afirmou o representante do SEEB/CE no evento, Clécio Morse.


Clécio afirma ainda que “o representante do Banco Central na audiência da Comissão de Defesa do Consumidor informou que o ABN/Santander ainda não enviou as informações referentes à incorporação. Isso nos leva a crer que no mínimo há a intenção de esconder o plano e o destino nas relações de emprego e no tocante aos clientes e aos usuários do ABN/Santander”.