Rio+20: Um outro mundo é possível

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É a frase, o rumo, a orientação dadas pela presidenta Dilma no Fórum Social Temático (FST) realizado em Porto Alegre no final de janeiro: “Eu considero essencial na Rio+20 discutir um outro paradigma. A função da Rio+20 é colocar entre os governos a questão da crise e como sair dela. Discutir a desigualdade social que atinge os países do Terceiro Mundo e emergentes. O acesso à água. Então vocês discutam os novos paradigmas, se vocês quiserem, anti-capitalistas”. […]


Os debates foram intensos no Fórum Social Temático de Porto Alegre. Foi construída uma aliança estratégica entre movimentos sociais e populares, povo organizado, ONG’s, lideranças sociais e políticas, para levar à Rio+20 ideias e propostas de um outro mundo possível. Como diz a Declaração da Assembleia dos Movimentos Sociais ao final do FST: “nós, povos de todos os continentes, reunidos na Assembleia de Movimentos Sociais, realizada durante o FST Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental, lutamos contra as causas de uma crise sistêmica, que se expressa na crise econômica, financeira, política, alimentar e ambiental que se irradia por todas as dimensões, colocando em risco a própria sobrevivência da humanidade”.


Os eixos comuns de luta adotados na Assembleia de Dakar, em 2011, são reafirmados agora em 2012: Lutar contra as transnacionais; luta pela justiça climática e pela soberania alimentar; luta para banir a violência contra a mulher; luta pela paz e contra a guerra, o colonialismo, as ocupações e a militarização de nossos territórios.


Como ações concretas, além da preparação para participar da Rio+20, foi decidido realizar dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, “uma grande jornada de mobilização global contra o capitalismo e em defesa da justiça ambiental e social”. E “fazer entre 18 e 26 de junho, no Rio da Janeiro, uma grande mobilização mundial, com acampamento permanente, uma marcha de um milhão de pessoas e realizando a Cúpula dos Povos”.


2012, portanto, não será um ano de descanso. Como sinalizou o final do discurso da presidenta Dilma: “Os grandes movimentos da humanidade são feitos de ação, mas também de esperança. Foi a esperança que moveu a minha geração, décadas atrás. Hoje, quando olho o caminho percorrido e para os objetivos alcançados, só posso dizer a vocês: valeu a pena. É essa esperança que nos une e nos mobiliza para a Rio+20. É essa esperança que deve sempre nos guiar na busca de um novo modo de vida, inclusivo e sustentável. Sabendo que o papel da sociedade civil será determinante para o êxito da Rio+20, conto com a mobilização, com o engajamento e a presença de vocês no Rio de Janeiro. Eu tenho certeza: UM OUTRO MUNDO É POSSÍVEL”.


Em dois de fevereiro de dois mil e doze.

Selvino Heck – Assessor Especial da Secretaria Geral da Presidência da República