Sede da CUT-CE é atacada em dia de ato contra reformas

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Um grupo de bandidos encapuzados invadiu a sede da CUT-CE, em Fortaleza, na manhã da quinta-feira, (20/7), no momento em que se iniciaria uma reunião operativa da Frente Brasil Popular. Várias pessoas foram mantidas reféns, roubados e ameaçados por pelo menos 40 minutos. A reunião definiria os últimos detalhes do ato em defesa da democracia, dos direitos, e em solidariedade ao ex-presidente Lula – marcado para a tarde do mesmo dia. A manifestação, que ocorreria na Praça da Bandeira, acabou sendo adiada.


A invasão à sede da entidade aconteceu pouco antes das 10 horas. Com armas de fogo e estilete, os bandidos ameaçaram de morte quem estava no local e procuravam especificamente por dois dirigentes da Executiva. Roubaram e destruíram celulares, notebooks, dinheiro e pertences pessoais dos presentes, que foram ameaçados e mantidos reféns em duas salas separadas. Seguiram arrombando salas nos pavimentos da sede e destruindo o que viam pela frente. Três membros da Central tiveram de ser encaminhados ao hospital Instituto Dr. José Frota.


Andréa Oliveira, secretária de comunicação do PCdoB, foi uma das vítimas da ação. Ela afirma que os bandidos agiram com truculência e desconfia que a ação foi premeditada. “Foi uma ação muito violenta, a gente fez tudo que eles mandaram. Achamos muito estranho isso ter acontecido no dia que tínhamos um ato agendado, com todas as lideranças reunidas aqui”, relata a secretária.


“Esse ‘assalto’ nos causa um grau de perplexidade muito grande. Não queriam buscar dinheiro nem informação. Queriam a todo custo saber quem era o presidente e quem era o tesoureiro. Tocaram o terror, bateram e deram coronhadas nos reféns”, afirmou o presidente estadual do PT, Francisco de Assis Diniz, que participou de uma coletiva de imprensa convocada pela Frente Brasil Popular cerca de uma hora depois de os bandidos deixarem a sede da entidade.


“É com estranheza muito grande que vemos esse fato. Movimentos sociais e sindicais se reuniam pra definir ações e atuações em prol de direitos de liberdades civis e democráticas do país. Não é a primeira vez que ocorrem depredações na Central. Esse clima de terror gerado precisa de uma investigação extremamente responsável. E nós não vamos nos intimidar diante de ataques, para manter nosso direito constitucional de organização dos trabalhadores”, concluiu Carlos Eduardo Bezerra, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará.