SEEB/CE protesta contra precarização das condições de trabalho e do atendimento

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O Bradesco que lucrou R$ 15,089 bilhões em 2014, é um dos campeões de demissões e isso tem refletido no aumento da jornada de trabalho e das filas, prejudicando clientes e usuários.


Em visitas às unidades do Estado, o Sindicato dos Bancários do Ceará constatou que o Bradesco está reduzindo, gradativamente, o número de guichês de atendimento (caixas) em suas agências bancárias. A consequência dessa medida é que os poucos bancários que ficam nas agências têm sofrido com a sobrecarga de trabalho e com o estresse do público, indignado com a demora no atendimento. Para protestar contra essa situação desumana tanto para os bancários quanto para a população, o Sindicato realizou na quarta-feira, 8/4, uma grande manifestação em frente ao Bradesco da Rua Senador Alencar (Bradescão), no Centro de Fortaleza.


“Esse ato é para denunciar à sociedade que, ao invés de contratar mais bancários para atender dignamente a população, o Bradesco demite, reduz a sua estrutura de atendimento nas agências e expulsa os usuários de dentro do banco, restringindo o que o cliente pode ou não pode fazer”, explicou o diretor do Sindicato dos Bancários, Gabriel Motta. Segundo ele, a prática hoje nas agências do Bradesco é de encaminhar para os correspondentes bancários todos os usuários que desejarem efetuar pagamentos de boletos nas unidades do banco.


“Esse é um dos maiores bancos da América Latina, que cobra tarifas e juros altos, e não dá condições adequadas de trabalho aos seus funcionários, nem presta um bom atendimento aos seus clientes e usuários. O banco tem ainda um elevado índice de afastamentos por depressão, por lesões por esforço repetitivo e outras doenças ocupacionais, tudo por força da precarização das condições de trabalho”, destacou o dirigente.


“Temos alertado aos órgãos competentes e à sociedade da precariedade dos serviços prestados pelos bancos privados, em especial, pelo Bradesco. Ano passado, os bancos reduziram cinco mil empregos. A economia se expande, abrem-se mais agências, mas os bancos demitem em vez de contratar”, completou o diretor do Sindicato, Robério Ximenes.


Visitas constatam irregularidades – O diretor do Sindicato, Telmo Nunes, informou que o Sindicato está constantemente visitando as agências e observando como estão as condições de trabalho e de atendimento. “Há algum tempo, a direção do Sindicato vem tentando dialogar com o Bradesco para resolver um problema muito grave: a quantidade insuficiente de funcionários para atender a grande demanda que temos no Ceará. A bancarização hoje é uma realidade e em contrapartida, os bancos têm reduzido a quantidade de funcionários, precarizando o atendimento e sobrecarregando os bancários que estão nas agências. Queremos que o banco reconheça que precisa fazer contratações, para poder prestar um atendimento melhor e para gerar mais empregos”, disse.


Telmo ressalta que é importante também que a população passe a denunciar nos órgãos de defesa do consumidor e exigir nas gerências de suas agências mais contratações. “Vocês têm o direito de serem atendidos dentro do banco e de forma digna. Exijam seus direitos e façam com que esses bancos cumpram a sua parte”.


Denúncias – O presidente do Sindicato, Carlos Eduardo Bezerra, destacou que a entidade oficializou denúncia contra o Bradesco, ao Banco Central do Brasil, por discriminação e por irregularidade no atendimento à população. Segundo ele, o banco restringe o que se pode fazer nas agências, empurrando os clientes para os correspondentes bancários que não oferecem segurança adequada.  Além disso, o Sindicato também denunciou o Bradesco na Procuradoria Regional do Trabalho por desrespeito à jornada dos funcionários, constantemente obrigados a fazer horas extras para suprir a demanda de serviço.


“Essa é a contramão do desenvolvimento do País. É um verdadeiro retrocesso que bancos passem a assumir descaradamente a discriminação com a população. O Bradesco reduziu, inclusive, o número de caixas nas agências. A prioridade não é um atendimento decente, mas a redução de custos para lucrar mais. Mesmo que isso tenha como consequência a precarização das condições de trabalho e do atendimento”, concluiu.