Segurança Bancária: nosso objetivo é proteger vidas!

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O tema da segurança é uma preocupação constante em nossa sociedade, sobretudo nos dias atuais. Para nós, bancários, nos aflige, principalmente, a segurança de funcionários e clientes, na Capital e no Interior, visto que os bancos são alvos frequentes de ataques de quadrilhas numerosas e violentas, que sitiam cidades e causam pânico e prejuízo por onde passam.


Diante disso, temos lutado para minimizar a violência contra agências bancárias no Estado. Nossa primeira vitória foi em 2012, quando, através de uma iniciativa nossa, foi aprovado o Estatuto de Segurança Bancária de Fortaleza. A lei 9.910/2012 encontrou resistência dos banqueiros, pois previa entre outras exigências, a obrigatoriedade das portas detectoras de metal e biombos entre clientes e a bateria de caixa, gastos que os bancos lutaram para não ter, através de liminares pedindo a suspensão do Estatuto.


Saímos vencedores e o Estatuto, mesmo implantado muito depois de sua publicação como lei, trouxe rapidamente os resultados que esperávamos. Em 2013 foram contabilizadas em nossas estatísticas o total de 37 saidinhas bancárias. Em 2014, esse número caiu para 12. Este ano, até o momento, foram apenas duas. Em 2013, foram registrados 41 ataques em Fortaleza, contra 15, em 2014. Nos três primeiros meses de 2017, foram 22 ataques no geral. Este ano, apenas 15. Os números são de um levantamento que fazemos desde 2009, através de notícias da imprensa local, e que já virou fonte para os jornalistas do Estado.


Após a vitória em Fortaleza, nossa luta por mais segurança tomou conta do Interior, onde realizamos várias audiências públicas nas principais Câmaras Municipais espalhadas pelo Estado, incentivando cada município a ter seu próprio Estatuto de Segurança. Obtivemos êxito em pelo menos quatro cidades que aprovaram leis semelhantes à da Capital: Tianguá, Caucaia, Caridade e Crateús e percebemos que nesses lugares, os índices de insegurança também diminuíram.


Entretanto, a nossa maior vitória em defesa da segurança de bancários e sociedade como um todo veio no final de 2017, quando no dia 14 de dezembro, o governador Camilo Santana (PT/CE), assinou a Lei de Segurança Bancária do Ceará. A lei 16.541/2017 foi publicada dia 18 de dezembro e prevê 180 dias para que as instituições financeiras do Estado se adequem.


A lei estadual prevê porta eletrônica, equipamento de retardo na fechadura dos cofres, sistema de monitoramento em tempo real, sistema de alarme, equipamento de inutilização de células em casos de explosões ou arrombamento dos caixas eletrônicos, biombos, armários porta objetos, em todas as agências do Ceará. Fica proibida ainda a guarda de chaves de cofres por funcionários e o transporte de numerário por bancários, entre outras medidas.


São ações simples, e para muitos, até mesmo óbvias, mas para os banqueiros, que só visam o lucro, foram necessárias incansáveis batalhas para a implantação dessas leis para forçá-los a implementar mecanismos que protejam a vida das pessoas e que deem condições de trabalho dignas aos bancários.


Quando um banco é explodido no Interior, todos sofrem. A população tem de se deslocar às vezes até 100km para ir a uma agência. O bancário tem de ser lotado em outra unidade. O comércio local enfraquece. Se tem segurança e instrumentos que inibam os criminosos, todos saem ganhando. Esse é o nosso objetivo: um ambiente seguro, uma sociedade mais justa para todos.


Carlos Eduardo, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará e funcionário do BB